Capítulo 2
Acho que ainda não mencionei que morava em um vilarejo, uma alameda, com seis casas, mas todos ali eram familiares. Durante anos convivi em harmonia com meus tios e primos. Me perguntei se ninguém ouviu o barulho dos tiros que disparei dentro de casa, ninguém foi ver se estava tudo bem, depois descobriria que todos estavam muito ocupados para isso.
De repente o meu primo, Leandro, um garoto de 16 anos, que morava apenas com sua mãe, pois seus pais eram divorciados saiu correndo de dentro de sua casa que ficava colada na minha, ele estava desesperado e antes que pudesse me dizer alguma coisa, sua mãe surgiu. Não era mais a sua mãe, sua aparência estava horrível, ela estava como os meus pais, parecia hipnotizada e vinha mancando em nossa direção. Eu apontei a arma para ela e Leandro gritou para abaixar a arma, eu disse que ela iria matá-lo, mas ele não ligou.
Leandro deu uns passos para frente, ela se aproximava lentamente dele, e ele tentava se comunicar, sem sucesso. Quando ela o atacou, eu acertei a sua cabeça. Desde a mamãe, aprendi que aquelas criaturas, por algum motivo, só morriam se estourasse seus miolos. O sangue espirrou no rosto dele.
Ainda bem que Leandro compreendeu, ele viu que ela iria morde-lo e por pouco isto não aconteceu, achei que iria pensar que eu estava ficando louco. Ele se ajoelhou perto dela e entendeu que fui obrigado a fazer aquilo. Mas ainda assim estava inconformado.
Pedro estava muito assustado, todos aqueles tiros, sangues e miolos voando estavam o deixando apavorado, e a mim também. Disse a ele que tudo iria ficar bem, e precisei dizer que todas aquelas pessoas eram do mal e que tínhamos que combatê-las, ou elas iam nos pegar. Ele não percebia que eram nossos parentes, pois estava com muito medo para isso.
Um estridente grito feminino percorreu toda a vila, vinha da última casa, só podia ser da Fernanda, minha prima. Corremos para sua casa, onde os pais de Fernanda estavam prestes a atacá-la, ela estava ficando sem saída, apenas gritava, mas isso foi o suficiente, eu acertei um tiro certeiro na cabeça de cada um, já estava ficando bom em tiro ao alvo, pena que o “alvo” seja a cabeça dos meus pais e tios.
Fernanda, assim como nós, não fazia idéia do que estava acontecendo, eu disse que precisávamos ir embora da vila, não era mais seguro. Ela disse que a sua irmã estava lá em cima, então eu deixei Pedro com o Leandro, eu e Fernanda subimos, chegamos ao quarto de July, mas ela não estava lá, Fernanda chegou mais perto da cama, foi quando uma mão surgiu lá de baixo e agarrou seu tornozelo, era a sua irmãzinha que se escondeu com medo e resolveu aparecer. Graças a deus ela ainda estava normal!
Por um momento ficamos mais aliviados. As crianças, Pedro e July, estavam a salvos, agora tínhamos de mante-los assim.
Descemos as escadas rapidamente, íamos sair daquela vila dos infernos. Para isso eu tinha que pegar a chave do carro do papai, que devia estar em algum lugar dentro de casa. Voltei para aquele ambiente horrível, onde ocorreu o pior momento de minha vida, dei uma última olhada para os cadáveres naquela sala, arrastei o corpo de minha mãe para junto do meu pai. Me perguntei como tudo isso começou, eu os amava tanto e tive que matá-los, mas eles não eram mais os meus pais, queriam me matar, fui obrigado a fazer isto. Tenho de levar esse pensamento comigo se não vou enlouquecer. Prometi a eles que protegeria Pedro até os últimos momentos de minha vida, e algumas lágrimas escorreram no meu rosto. As chaves do carro estavam no bolso do papai, eu a peguei, nesse momento escutei um grito vindo lá de fora.
Corri rapidamente para ver o que era, não havia nenhum monstro, era apenas meu outro primo, Vítor. Leandro estava tão nervoso que se assustou quando ele apareceu de repente. Perguntei sobre seus pais e ele disse que teve de enfiar uma faca na cabeça de seu irmão mais velho e da sua mãe. Seu pai saiu cedo para trabalhar, ele era segurança em um hiper-mercado da cidade. Então mandei todos entrarem no carro, pois era pra lá que nós ía-mos.













