domingo, 15 de julho de 2012

O Toque de Midas

Certa vez Dionísio, deus do vinho, deu por falta de seu mestre e companheiro fiel, Sileno. O velho andara bebendo como sempre e, tendo perdido o caminho, foi encontrado por alguns camponeses que o levaram ao seu rei, Midas. Midas reconheceu-o, tratou-o com hospitalidade, conservando-o em sua companhia durante dez dias, no meio de grande alegria e fartura.

No décimo-primeiro dia, o rei levou Sileno de volta e entregou-o são e salvo a Dionísio. A alegria do deus ao reencontrar Sileno foi enorme e, para comemorar, ele deu uma festa regada a muito vinho e cantoria. Quando as danças finalmente cessaram, Dioniso disse que desejava agradecer a Midas e propôs satisfazer qualquer desejo do rei, qualquer um. O ambicioso Midas, mesmo já sendo muito rico, pediu que tudo em que tocasse imediatamente se transformasse em ouro. Dionisio consentiu, embora pesaroso por não ter ele feito uma escolha melhor.

Midas seguiu caminho, alegre com o poder recém-adquirido que se apressou a experimentar. Mal acreditou nos próprios olhos quando tocou numa simples mesa de madeira, que se transformou em ouro maciço. Segurou uma pedra; ela mudou-se em ouro. Pegou um torrão de terra; virou ouro. Colheu um fruto da macieira; e parecia até que ele havia furtado do jardim das Hespérides. Maravilhado, Midas ficou frenético. Saiu tocando em tudo o que estava a seu alcançe. Em pouco tempo, tudo quanto era enfeite, móvel, as próprias colunas do prédio, as árvores do jardim... Ouro puro, brilhante, cintilante. De longe dava para ver o palácio de ouro de Midas, faiscando sob os raios do sol.

Sua alegria não conheceu limite e Midas ordenou aos criados que servissem um magnífico banquete para comemorar. Então verificou, horrorizado, que, se tocava o pão, este enrijecia em suas mãos; Carne, frutas suculentas, queijos deliciosos... se levava qualquer comida à boca, seus dentes não conseguiam mastigá-la. Chamou os empregados para ajudá-lo, mas todos se afastavam dele. Quando sua filha chegou ao palácio e, sem saber de nada, o enconstou, também se transformou em ouro, para desespero de Midas.

Então Midas, angustiado de fome e solidão, agora detestava o dom que tanto cobiçara. Começou finalmente a refletir e percebeu que o poder que ele escolheu o condenava a uma morte rápida. Apavorado, ergueu os braços numa prece a Dionísio e, chorando, implora ao deus para que o livrasse daquela destruição fulgurante. Dionísio, divindade benévola, o ouviu e consentiu. "A água corrente desfaz o toque ", disse-lhe Dioniso,"mergulha o que tocastes num rio, e os objetos em que tocaste voltarão a ser o que eram". Midas correu a cumprir o que dissera o deus do vinho e, com a água do rio Pactolo, que colheu num jarro, foi banhando todos os objetos em que tocara, restituindo-lhes a natureza primitiva, a começar pela própria filha, que ele, então, pôde abraçar sem perigo de torná-la de ouro. Dizem que Midas, ao se abaixar para colher a água na margem do rio, tocou na areia com as mãos e que, por isso, até hoje, as águas do rio Pactolo correm sobre areias douradas.


Depois de uma aventura tão desastrosa, Midas devia ter aprendido a ser mais cuidadoso com os deuses, mas não aprendeu e meteu-se em outra enrascada. Depois dos acontecimentos com seu toque de ouro, Midas passou a odiar a riqueza e o esplendor e mudou-se para o campo, onde passou a cultuar Pã, o deus da natureza. Certo dia, Midas ousou afirmar que a flauta tocada por Pã era muito mais melodiosa do que a harpa tocada por Apolo. Quando o deus da música soube disso ficou furioso e castigou aquela afronta fazendo as orelhas de Midas crescerem longas e peludas, como as orelhas de burro. Para ocultá-las, o rei colocou na cabeça um turbante.

Depois de um ano, o cabelo do rei tinha crescido tanto que ele precisou chamar um barbeiro ao palácio. Com ar ameaçador, Midas conduziu o homem a uma sala sem janelas e fechou a porta com chave. Quando tirou o turbante e deixou as longas e peludas orelhas à mostra, o barbeiro ficou muito surpreso com o que viu, mas Midas avisou-o que aquilo era segredo e o ameaçou caso contasse para alguém. O barbeiro então começou a trabalhar com suas tesouras como se nada notasse de diferente.

Porém, pouco a pouco aquele segredo começou a pesar tanto para o pobre barbeiro que ele acabou ficando mais infeliz do que o rei orelhudo. Precisava contar aquilo para alguém, dividir aquele peso insuportável, aliviar sua mente, mas temia ainda as ameaças do rei. Continuou a sofrer até que um dia teve uma inspiração. Afastou-se o máximo que pôde da cidade e, lá longe, na curva deserta de um rio, cavou um buraco na margem, ajoelhou-se na areia úmida e sussurrou dentro do buraco três vezes: "O rei Midas tem orelhas de burro".

Aliviado, repôs a terra cuidadosamente, cobrindo assim as perigosas palavras que tinha proferido e retornou em silêncio para casa. Mas bem ali, naquele ponto onde cavou o buraco, algum tempo depois nasceu uma planta que, na primavera seguinte, quando o vento agitava suas hastes flexíveis, estas faziam um barulho que parecia reproduzir o segredo que tinha sido confiado à terra: "Midas tem orelhas de burro". O vento espalhou aquele segredo por todo o reino. Logo, ouvia-se falar até na cidade e depois de algumas horas, todo mundo falava sobre as orelhas do rei e davam muitas risadas sobre o caso. O pobre Midas caiu no ridículo e passou a viver para sempre trancado em seu palácio, lamentando, mais uma vez, não ter tido prudência e bom senso. Mas já era tarde.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Trailer Sensacional do Jogo "ZombiU"


Para acalmar um pouco vocês depois de todas aquelas notícias de ataques canibais que nos impossibilita de não pensar em um apocalipse zumbi de verdade, hoje eu vos trago o trailer sensacional de ZumbiU, um game de terror exclusivo para Nitendo Wii U. O jogo se passa em uma Londres infestada por zumbis. O trailer mostra imagens de pessoas tentando sobreviver desesperadamente às hordas de mortos-vivos. Isso mesmo, só para tranquilizar vocês! Confira:


Lembrou do trailer de Dead Island? Eu também! Este outro trailer mostra um pouco da jogabilidade do game.

 
E por falar em games de zumbi e com todos esses ataques canibais acontecendo, que tal ter uma aula sobre a arte de matar zumbis com Chuck Greene, do jogo Dead Rising 2? Pra quem não sabe, Chuck é um fotógrafo que encontra-se preso em um shopping center infestado por mortos vivos. Além de usar manequins, bolas de boliches, bebedouros e qualquer outro objeto como arma, ele ainda pega os simples produtos das lojas do local e os combina, criando armas fatais para massacrar os mortos (as combo weapons), como um helicóptero de brinquedo com facões amarrados na hélice ou uma luva de boxe com facas implantadas, feito as garras do Wolverine. Veja e inspire-se, para caso um verdadeiro apocalipse zumbi se torne inevitável!


Fique com o trailer de Dead Rising 2, que também é muito foda!


O Chuck Greene é VID4 LOK4!!





PS. Vocês estavam aliviados porque este não é mais um sobre zumbis de verdade, né? Não é sobre um novo ataque canibal... então tenho más notícias, caros leitores. MAIS UM ATAQUE CANIBAL ACONTECEU! Só que a partir de agora, sempre que ocorrer um novo, atualizarei o post sobre os sais de banho. Lá terá sempre a lista completa de ataques canibais envolvendo a droga. Este novo, sobre uma mulher de Nova York que tentou devorar seu namorado e filho de 3 anos, já está adicionado lá na macabra lista. Clique aqui para ver. 

Até =)

sábado, 16 de junho de 2012

Os Melhores Posters #4 - Cisne Negro

Cisne Negro é um thriller psicológico ambientado no mundo do balé da Cidade de Nova York. Natalie Portman interpreta uma bailarina de destaque que se encontra presa a uma teia de intrigas e competição com uma nova rival interpretada por Mila Kunis. O filme faz uma viagem emocionante e às vezes aterrorizante à psique de uma jovem bailarina, cujo papel principal como a Rainha dos Cisnes acaba sendo uma peça fundamental para que ela se torne uma dançarina assustadoramente perfeita.


Nina com uma rachadura através do seu rosto, o que representa a ruptura da sua personalidade

De uma meiga bailarina nasce um gigantesco e ameaçador Cisne Negro

O Cisne Negro penetra na mente de Nina, artomentando sua psique


 
Cisne Negro é simplesmente perfeito, um dos melhores filmes dos últimos tempos. Se você ainda não o assistiu, não deixe de conferi-lo imediatamente. Segue abaixo o excelente trailer do longa:


Veja também os melhores posters de filmes parte 1, parte 2 e parte 3

 Fonte das legendas dos cartazes.

sábado, 19 de maio de 2012

Curta "RED"

Esse curta de Jorge Jaramillo e Carlo Guillot, dá vida a uma versão mais sinistra do conto da Chapeuzinho Vermelho, de uma forma muito criativa e bem feita.

Curta o curta!


Descobri esse curta no blog parceiro Alguns Filmes.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Grande Dilúvio Grego

Deucalião e Pirra recriando a humanidade

O fanatismo religioso levou Licaón, o rei da Arcádia, a realizar sacrifícios humanos. Chegou ao ponto de sacrificar todos os estrangeiros que chegavam a sua casa, violando a sagrada lei da hospitalidade.

Desaprovando essas aberrações, Zeus, o deus dos deuses, fêz-se passar por um peregrino e hospedou-se em seu palácio. Licaón preparou-se para sacrificá-lo, assim como havia feito com outros em nome de sua religiosidade. Mas antes mandou cozinhar a carne de um escravo e servir a Zeus. Enfurecido, o deus transformou Licaón em um lobo, e com um raio, incendiou o seu palácio que tinha sido testemunha de tanta crueldade.

Licaón era pai de inúmeros filhos, quase uns 50, tidos com muitas mulheres. Os filhos de Licaón eram tão cruéis quanto o pai e se tornaram famosos por sua insolência e seus crimes. Tão logo ficou sabendo das barbaridades dos filhos de Licaón, Zeus novamente se disfarçou de um velho mendigo e foi ao palácio dos Licaónidas para comprovar os rumores. Os jovens príncipes tiveram a ousadia de assassinar o próprio irmão Níctimo e servir suas entranhas ao hóspede, misturadas com entranhas de animais. Zeus descobriu a crueldade e, enfurecido, converteu todos em lobos e devolveu a vida a Níctimo que sucedeu seu pai no reino da Arcádia.

Foi então que, espantado com tanta violência instaurada entre a humanidade, Zeus decidiu exterminar a espécie humana. Os deuses se reuniram e Zeus expôs as terríveis condições que reinavam na Terra e anunciou que iria destruir todos os homens e criar uma nova raça que fosse mais digna de viver e que soubesse melhor cultuar os deuses. Tomou o seu raio, e já ia lançá-lo contra o mundo, destruindo-o pelo fogo, mas quando percebeu o perigo que um incêndio teria para os próprios deuses, decidiu então inundar a Terra.

Enquanto isso, os homens, sem nem desconfiar do que os espera, dedicam-se a suas ocupações terrestres.  Mas um deles, Deucalião, rei da cidade de Tia, visita seu pai, o titã Prometeu, que está ainda acorrentado em seu castigo na montanha do Cáucaso. Prometeu, que ama os seres humanos e sabe o que Zeus está projetando, avisa seu filho. Assim que volta para a cidade, Deucalião começa a construir um grande navio de madeira. Deucalião e sua esposa, Pirra, instalaram-se no barco e passaram a morar ali.

De repente, pesadas nuvens começam a escurecer o céu, torrentes de chuva caíram e as plantações inundaram-se. Não satisfeito, Zeus pediu ajuda a seu irmão Poseidon, que, com seu tridente, sacudiu a Terra com um terremoto formando ondas gigantescas que devastaram as cidades. Homens, animais, casas e templos foram completamente destruídos pelas águas.

De todas as montanhas, apenas a do Parnaso conseguiu ficar acima das águas. Nele o barco de Deucalião e Pirra encontrou refúgio. Zeus viu que apenas eles haviam sobrevivido e cessou a tempestade. Poseidon fez o mesmo.

Deucalião e Pirra não queriam ser os únicos habitantes neste imenso mundo e desejaram ter o dom de seu antepassado Prometeu, para assim recriar a humanidade. Entraram num templo ainda meio destruído e rogaram a um oráculo para que os esclarecesse sobre a maneira de agir naquela situação. O oráculo respondeu: 

"Saiam do templo com a cabeça coberta e as vestes desatadas e atirai para trás os ossos de vossa mãe".

Pirra ficou confusa com o que o oráculo disse. Mas Deucalião pensou seriamente e chegou à conclusão de que a Terra era a mãe comum de todos e as pedras seriam os seus ossos. Assim resolveram tentar. Velaram o rosto, afrouxaram as vestes, apanharam as pedras e atiraram-nas para trás. As pedras amoleceram e começaram a tomar forma humana. As pedras atiradas pelas mãos de Deucalião tornaram-se homens e aquelas atiradas pelas mãos de Pirra tornaram-se mulheres. E assim a humanidade ressurgiu.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A Caixa de Pandora

Prometeu (aquele que vê antes ou prudente, previdente) era um dos Titãs, filho de Jápeto e Clímene e também irmão de Epimeteu (o que vê depois, inconsequente), Atlas e Menécio. Os dois últimos se uniram a Cronos na batalha dos Titãs contra os deuses olímpicos e, por terem fracassado, foram castigados por Zeus que então tornou-se o maior de todos os deuses. 

Prevendo o fim da guerra, Prometeu se uniou a Zeus e recomendou que seu irmão Epimeteu fizesse o mesmo. Assim, eles não foram castigados e viviam em paz na terra. Os irmãos foram incumbidos de criar os homens e todos os animais. Epimeteu encarregou-se da obra e Prometeu encarregou-se de supervisioná-la.

Coube a Epimeteu distribuir aos seres qualidades para que pudessem sobreviver. Para alguns deu velocidade, a outros, força; a outros ainda deu asas, etc. Mas quando chegou a vez do homem, Epimeteu, que não sabe medir as consequências de seus atos, já havia gastado todos os seus recursos com os outros animais e agora o ser humano estava indefeso. Perplexo, recorreu ao seu irmão Prometeu, que subiu até o Olimpo, acendeu uma tocha no carro do sol de Apolo, trazendo o fogo, que antes era algo exclusivo dos Deuses, para os homens. Isto assegurou a superioridade dos homens sobre os outros animais. Com o fogo, o homem pôde, entre várias outras coisas, se proteger dos animais ferozes, cozinhar o seu alimento e aquecer sua moradia.

Num célebre episódio, durante um banquete destinado a selar a paz entre mortais e deuses, Prometeu foi responsável por aplicar um estratagema em Zeus. Colocou duas oferendas diferentes diante do deus olímpico: uma delas consistia de um saco cheio de fartas carnes de touro, porém, escondidas dentro de um exterior repulsivo. A outra consistia, num outro saco, onde o titã colocou só os ossos e gorduras do touro, mas revestidos por uma embalagem atrativa. Zeus escolheu a segunda, abrindo assim um precendete para os futuros sacrifícios, e a partir de então os humanos teriam passado a ficar com a carne dos animais que sacrificavam, dedicando aos deuses apenas os ossos, envoltos numa camada de gordura. 

Ao descobrir que só havia ossos e gordura dentro do saco, Zeus se enfureceu, e retirou o fogo dos humanos como forma de retribuição. Prometeu, por sua vez, roubou o fogo dentro de um gigantesco caule de funcho, devolvendo-o à humanidade. (está é a outra versão para a história do roubo).

De qualquer forma, este roubo ousado de Prometeu deixou Zeus muito furioso, e isto não é nada bom. O deus dos deuses decidiu então punir Prometeu e seu tão adorado homem pela ousadia de furtar o fogo divino. Para isso mandou criar a primeira mulher, que se chamou Pandora. Ela foi feita no céu, moldada por Hefesto á semelhança das deusas, e cada um dos deuses contribuiu com alguma qualidade para aperfeiçoá-la. Afrodite deu-lhe a beleza e a meiguice, Atenas deu-lhe a sabedoria, Apolo, o dom da música, Zeus, porém, pediu secretamente a Hermes, o traiçoeiro deus dos ladrões, que impusesse na personalidade de Pandora a traição e a mentira. Assim dotada, destinou-a Zeus à espécie humana.


Hermes conduziu Pandora até Epimeteu, a quem Prometeu recomendara que não recebesse nenhum presente dos deuses. Porém, vendo-lhe a radiante beleza, o inconsequente Epimeteu esqueceu quanto lhe fora dito pelo irmão e tomou Pandora como esposa. Epimeteu tinha em sua casa uma caixa (em outras versões, um jarro) na qual guardava certos artigos malignos de que não se utilizara para a preparação do homem e fez a mulher prometer que não a abriria. Mas Pandora foi tomada por intensa curiosidade e, depois de uma noite de amor com Epimeteu, que caiu no sono, ela lhe enganou e abriu a caixa. De lá saíram todos os males, a inveja, a mentira, o ódio, a velhice, a morte e todas as doenças que até hoje assolam a humanidade. Espantada, Pandora apressou-se em tampar a caixa mas, infelizmente, escapara todo o conteúdo da mesma, com exceção de uma única coisa que ficara no fundo, a esperança.

Quanto a Prometeu, como se não bastasse o fato de ter a sua tão adorada humanidade devastada por tantos males, o titã ainda foi condenado pelo vingativo Zeus a ficar eternamente acorrentado a uma rocha, com um abutre que vinha todos os dias para lhe devorar o fígado que se regenerava durante a noite, para que fosse devorado novamente no dia seguinte. A vingança de Zeus estava feita.