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domingo, 21 de julho de 2013

A Teoria Pixar

Olá galera, sei que passei um tempo afastado do blog, que ficou meio abandonado, mas tive que voltar aqui pra postar isso!


Trata-se de algo que ficou conhecido como "Teoria Pixar" e está rondando a internet ultimamente. É uma teoria do jornalista Jon Negroni que, após assistir exaustivamente todos os filmes da Pixar e achar os easter eggs, formulou a hipótese de que todos eles se passam no mesmo universo e contam uma só história: o apocalipse da Terra e um futuro bem estranho. Para entender esta história, primeiro é preciso colocar os filmes na ordem cronológica correta, coisa que o jornalista fez observando as inúmeras "pistas" deixadas pela empresa de animação. Como já tem muita história, vamos contar a síntese e deixar os easter eggs e pormenores (até física quântica entra na história) para sermos (acreditem) mais enxutos possível. É importante avisar que o texto abaixo contém vários spoilers.

Tudo começa (cronologicamente falando) pelo filme medieval Brave. Nele, uma bruxa (que tem o péssimo hábito de desaparecer por trás de portas) desenvolve uma poção que humaniza animais e objetos. É o único filme da Pixar que se presta a explicar a humanização deles. Seria aqui o começo de uma geração de animais e objetos racionais.


A seguir, vem Ratatouille, a história do ratinho que adentra a sociedade gastronômica de Paris. Aqui seria a época em que os animais racionais já se proliferaram e começaram a ousar interagir com os humanos de igual para igual, chegando até a nos superar, mas ainda sem uma comunicação clara estabelecida. Os objetos também se proliferaram? Sim, em Toy Story. Mas este filme vai além. Do que falam os três Toy Story? Não só de objetos com inteligência própria, mas de brinquedos que estão cansados de serem negligenciados pelos seus donos. #basta #revolução #vemprarua. E o que encontramos no terceiro e último filme da série?


Sim, um postal do Carl e da Ellie - o casal de Up!. Subtendendo-se que Ellie está viva nesta época, a história de Up! se passa depois da de Toy Story. Nela, o vilão desenvolve colares para os cachorros falarem. Ou seja, parece que o boato dos animais serem inteligentes se espalhou e só lhes falta uma coisa: um idioma. Senão, pra quê ele faria os colares? Enquanto isso, no mar, Marlin e Dory estão Procurando Nemo. Perceba que os peixes, embora sejam inteligentes, o máximo que desenvolveram semelhante à sociedade humana é uma escola. E lembra que a história de Up! começa pq Carl precisa arrancar a casa dele do chão pq senão ela seria demolida? Ok, guarde isso.

Então passamos para Os Incríveis! O começo deste filme fala de uma vida normal com super-heróis no mundo até a morte deles, certo? Pelo grafismo, parece que isso aconteceu nos anos 70. Até casarem e terem filhos grandes, a família superpoderosa passaria pela história do filme já nos anos 90. Época que, teoricamente, Toy Story tb se passa. E quem é o grande obstáculo da família? O maluco do Síndrome? Não - aquele robozão gigante. E os outros heróis acabaram morrendo ou pelas mãos deste robô ou tendo as capas tragadas por turbinas. Hum... parece que não são só os objetos do Andy que estão se revoltando contra o homem, não é? E estes foram mesmo direto ao ponto: eliminar os heróis.


Sem heróis, as máquinas dominam. Começa uma era de revolução industrial. Tudo tem que ceder espaço para o progresso. Até a casa de Carl entra na jogada e tem que ceder o espaço para a modernidade (aplique aqui o "guarde isso"). Por fim, a Terra fica tão poluída que quase todos os animais morrem e os humanos precisam fugir pro espaço. Por aqui, ficam só os objetos como brinquedos, casas e... Carros. Em Carros e Carros 2 simplesmente não existem humanos, embora seja claro que tenham existido em algum momento (rodovias, placas, corridas, etc). Estes filmes se passam numa realidade onde tinha acabado de sair do planeta. Em séculos, nada mais restará a não ser lixo e um robozinho melancólico e solitário chamado Wall-E. Esta animação já pula para a época em que o homem volta ao planeta. Mas Wall-E não estava sozinho - ele tinha a companhia de uma barata. Ou seja, insetos também sobreviveram ao apocalipse. E, inteligentes, continuaram a desenvolver sua sociedade e viver sua Vida de Inseto. Se em Procurando Nemo a sociedade animal era muito pouco parecida com a nossa, entre os insetos, séculos depois e sem a interferência do homem, já está bem mais parecida. Eles têm até um circo!


No filme dos peixes há presença humana, o que não acontece no filme dos insetos. Isso pq, segundo a teoria, os insetos já estariam vivendo sem nós há muito tempo. Os perigos citados sempre são "insetos maiores". A não ser o pássaro que aparece no final, que, junto com a farta vegetação, indicaria que esta história é ambientalizada quando a nave já voltou ao planeta e já estamos por aí, só que ainda muito raros para os insetos saberem. Seríamos nós os "insetos maiores"? Ou de fato alguma raça de inseto se desenvolveu de uma forma inesperada com toda poluição? Será que voltamos e, junto com esses super-insetos, acabamos desenvolvendo uma nova espécie? Uma espécie híbrida de criaturas mutantes que trabalhassem numa empresa chamada Monstros S.A.?

Pela teoria, sim. Mike, Sullivan, seus companheiros e companheiras seriam nossos descendentes monstruosos. Uma raça híbrida de humanos com insetos que enfrenta uma grande crise de energia. A viagem no tempo já é praticável, então eles descobrem que é preciso usá-la e conseguir energia no passado - as portas são estes portais. E Sullivan conhece Boo.


De alguma forma, depois do filme, Boo e Sullivan não podem mais se ver. Ela entra em desespero, fica #chatiada e neurótica com a idéia de que é possível que os animais desenvolvam inteligência (ela chamava o monstro de "gatinho"). Já sabendo da real funcionalidade das portas, consegue viajar no tempo. Futuro? Não - passado. Época medieval. Ela volta para tentar humanizar animais e objetos. E consegue. E conhece Brave.

Nó na cabeça: Boo é a bruxa de Brave. Tá de brinqs??? Volte à primeira imagem e olhe direito. Na foto com a bruxa, abaixo do martelo, há o carro da Planet Pizza. Ou seja: ela conhece o futuro. Nos objetos da casa, olhe melhor no canto direito. Não enxergou? Veja um zoom:


Sim, aquilo ali é o Sullivan desenhado. :o Além do mais, esta senhora vive desaparecendo atrás das portas. Desaparecendo não - viajando no tempo. ;)

Esta é a teoria. Os próximos filmes da Pixar podem dar mais peças do quebra-cabeça, acrescentar mais informações ou simplesmente mostrar que esta é uma teoria furada e lunática. Mas, que é muito interessante, isso é.

ps.: Um dos próximos projetos da Pixar se chama "The Good Dinossaur". Vão voltar ainda mais no tempo. Além do que, não é o primeiro dinossauro bonzinho que a empresa inventou (lembram do Rex do Toy Story?). Será que teremos ligações?

É, parece que o Pizza Planet Truck não é a única coisa em comum nos filmes da Pixar...

Fonte

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Jasão e os Argonautas

Pois é, pessoal, o mundo nem acabou, que surpresa hein?? Mas 2012, por outro lado, está acabando sim! Esse foi um ano bem agitado para mim, com momentos inesquecíveis, bons e ruins...
Neste que é o último post do ano, eu poderia muito bem falar de algo relacionado ao natal pra gente entrar no clima "mágico e maravilhoso" desta época, porém, se teve um ano que eu não consegui entrar no clima natalino, foi este. Então decidi encerrar o ano com 2 incríveis histórias, coisa que eu amo. Uma delas é a fantástica lenda de Jasão, da mitologia grega - só pra não perder o hábito - e a segunda, no outro post, é sobre a assustadora e familiar Bruxa de Blair. Mas antes de irmos para a nossa deliciosa leitura, claro, quero desejar a vocês um feliz natal e um feliz ano novo, e que 2013 seja um dos melhores anos de nossas vidas!!! Até ano que vem, galera :)


~ ~ ~

O rei Atamante tinha por rainha a deusa Nefele, com quem teve dois filhos: Frixo e Hele. Depois de um tempo, Atamante apaixonou-se por Ino, e com ela teve mais dois filhos: Learco e Melicertes. Ino não suportava os filhos de Nefele e planejou livrar-se das crianças. Decidiu espalhar doenças e secar as sementes dos cereais prejudicando as futuras colheitas. Prevendo que Atamante consultaria o oráculo para saber as causas das desgraças, subornou os sacerdotes, para que convencessem o rei de que a única forma de aplacar a ira dos deuses era sacrificando os filhos que teve com Nefele.

Atamante decide a sacrificar seus filhos

Embora com grande sofrimento, Atamante, pelo bem do povo, obedeceu as ordens do oráculo. Nefele, indignada, a tudo assistia. Para proteger os seus filhos, Nefele encontrou-se com eles às escondidas, avisando-os que no dia do sacrifício ela iria enviar um carneiro com lã de ouro, que desceria dos céus e aterrizaria diante deles. Orientou-os a montar no carneiro. O único cuidado que deveriam ter era de não olhar para baixo durante o vôo se não iriam cair. No dia do sacrifício, o carneiro surgiu e levou as crianças. Hele, no entanto, apesar das recomendações, não resistiu à tentação e olhou, caindo ao mar no local que ficou depois conhecido como Helesponto (hoje Dardanelos). Frixo chegou salvo à Cólquida, na corte do rei Eestes. Eestes recebeu Frixo de maneira gentil, e, quando o menino sacrificou o carneiro a Zeus, entregou o precioso velocino ao rei. Eestes dedicou o velocino a Ares e o depositou num bosque sagrado ao deus da guerra, sendo guardado por uma temível serpente. Frixo, depois de alguns anos, casou-se com a filha do rei do local.


Atamante, pela ira dos deuses, enlouqueceu. Acometido de súbita fúria, ele lançou seu filho Learco pela janela do palácio. Tomada de pavor, Ino se precipitou de um rochedo com o outro filho Melicerte.

A fama do Velocino de ouro espalhou-se por todo o mundo antigo, pois se dizia que ele tinha o dom de trazer prosperidade, riqueza e auto-realização espiritual a quem o possuísse. Muitos eram aqueles que cobiçavam o tesouro, porém o único homem valente e puro o suficiente para realizar essa façanha nascia naquele momento.

Em Iolco, Esão, ao assumir o trono, se casou com Polimede e teve com ela um filho de nome Jasão. Pélias, meio irmão de Esão, usurpou o trono e matou Esão e sua mulher, lançando Jasão, a criança herdeira do trono, ao mar. Jasão ainda bebê foi recolhido pelos deuses e levado ao Olimpo para ser educado pelo centauro Quíron junto a outros heróis.

Jasão e Quíron

Ao completar vinte anos, Jasão decidiu reivindicar o poder que por direito lhe pertencia e decidiu retornar à Iolco. O rei ao vê-lo, embora não o reconhecesse, suspeitou do estrangeiro ao lembrar-se do oráculo que havia predito sobre a ameaça que sofreria vinda de um homem de apenas uma sandália. E Jasão assim se apresentava, visto que havia perdido uma de sua sandálias durante a viagem, ao atravessar um rio de forte correnteza.

Apavorado com a previsão do oráculo e já ciente das intenções do sobrinho, resolveu eliminar o inimigo. Para tanto, incumbiu-o de ir até Cólquida capturar o Velocino de Ouro. Devido ao alto grau de periculosidade, esse empreendimento praticamente significava uma condenação à morte, mas Jasão, herói por excelência, não repudiou. Um comunicado foi enviado por toda a Grécia a fim de convidar jovens fortes e corajosos que estivessem dispostos a participar da difícil empreitada. Atenderam ao chamado mais de cinquenta heróis, entre eles, Hércules, Cástor e Pólux, Orfeu e muitos outros, numa grandiosa embarcação, denominada Argos, em homenagem ao seu criador, o filho de Frixo, Argos. Seus navegantes ficaram conhecidos como os argonautas.


Orfeu, que tinha o dom da música, ficou incubido de cadenciar o trabalho dos remadores. Tífis, discípulo de Atena na arte da navegação foi designado piloto. Jasão e seus amigos enfrentaram muitos obstáculos na viagem. Castor e Pólux, gêmeos filhos de Zeus, atraíram a proteção do pai durante a tempestade que a nau foi obrigada a enfrentar.  Orfeu sobrepujava com sua música, o canto das sereias que tentavam seduzir os navegantes para afogá-los.

Os Argonautas aportaram na ilha de Lemnos para descansar e logo descobriram que o local era habitado somente por mulheres, governadas, na época, pela rainha Hipsípile. A jovem rainha contou a Jasão que Lemnos havia sido invadida, e todos os homens assassinados, convidando os Argonautas a tomarem os lugares dos seus falecidos esposos. Mas o que Jasão não sabia era que ele e seus amigos seriam assassinados como aqueles que os haviam antecedido, pois essas mulheres são Amazonas, guerreiras que odeiam os homens. Antes mesmo de perceberem o ardil, os Argonautas decidem ir embora e, enquanto velejam pelo Helesponto, ouvem: "fuja da costa amazônica, ou sofrerão as consequências!"

Quando aportaram com a sua nau na ilha de Misia para descansar e pegar um novo mastro para seu navio, aconteceu que um dos argonautas, Hilas, foi atraido pelas ninfas da floresta e levado ao fundo das águas. Hércules ficou irreparavelmente desconsolado pois Hilas era seu jovem amante e abandonou a expedição para tentar encontrá-lo.

Hilas, o jovem amante de Hércules
Quando chegaram na terra dos bebrícios, o rei Âmico, gigante filho de Poseidon, desafiou os jovens em uma luta, estranho hábito que tinha com a chegada de todo visitante. Pólux representou os companheiros, derrotou o rei e o fez prometer que jamais importunaria os estrangeiros que chegassem ao local.

Depois, desembarcaram na Trácia, onde reinava o infortunado rei Fineu, filho de Agenor. Sobre Fineu pesava uma terrível maldição. Apolo havia dado a ele o dom da profecia e assim Fineu revelou a todos os segredos dos deuses, e ainda de forma direta e simples, e não por forma de enigmas como deviam fazer os oráculos e advinhos. Então Zeus, para puni-lo, lhe enviou as harpias - aves gigantes com rosto de mulher - para que tirassem a sua visão e mesmo depois de cego as harpias continuaram a atormentá-lo, roubando toda comida que lhe era dada, fazendo com que o rei passasse muita fome. Fineu era um homem que sofria muito, pois recebia comida como oferenda por suas visões, mas quando tentava comer era impedido pelas harpias.


O rei já estava prestes a morrer de fome quando os Argonautas chegaram. Ele prometeu revelar como passar por entre as Simplégades, duas enormes rochas flutuantes que se fechavam violentamente, esmagando qualquer coisa que por entre elas passasse e que abria caminho para a Cólquida. Os argonautas Zetes e Calais, filhos de Orítia, que tinham asas nos pés e na cabeça, conseguiram expulsar as harpias para longe, possibilitando que o magérrimo Fineu se deliciasse em um banquete. Em agradecimento, Fineu revelou que para passar pelas simplégades, eles deviam soltar um pombo para voar entre elas, as rochas iam se juntar e quando elas se afastassem novamente, eles, remando com toda a força, conseguiriam passar. Eles assim fizeram e obtiveram sucesso, apesar de parte da popa ter sido destruída.


Enfim os argonautas chegaram à Cólquida, porém, suas dificuldades não se esgotaram, pois o rei Eetes, tão logo tomou conhecimento das intenções do chefe dos argonautas, incumbiu-o de nova bateria de árduas tarefas. Como condição para lhe entregar o Velo de Ouro, deveria domar dois touros selvagens de pesadas patas de bronze e que expeliam fogo pelas narinas, que lhe tinham sido oferecidos por Hefesto. Feito isso, o próximo passo seria atrelar o arado aos dois animais para arar a terra e semeá-la com dentes de uma serpente que fora morta por Cadmo em tempos passado.

Contudo, nem bem haviam chegado à Cólquida, o chefe dos argonautas já tinha conquistado o coração da filha do rei Eetes e da rainha Hécate, a princesa Medéia, famosa por suas habilidades na arte da feitiçaria que se colocou à sua disposição para ajudá-lo através de seus poderes mágicos. Foi Hera que pediu a Afrodite para que fizesse Medéia se apaixonar por Jasão e assim ajudá-lo a cumprir as tarefas, pois Hera, que é a deusa da família, ficou indignada com os crimes de Pélias contra seus parentes e queria que Jasão conseguisse puni-lo.


Para domar os touros, Medeia entregou a Jasão uma erva que o tornou invulnerável ao fogo e ao ferro. Uma vez preparada a terra e plantados os dentes da serpente, brotaram terríveis guerreiros que avançavam em direção a Jasão. Contudo, Medeia, conhecedora da história de Cadmo, dá-lhe a simples solução para o problema: basta lançar uma pedra, de longe, para o meio desse exército erguido da terra. Os soldados entrariam em discussão sobre quem atirara a pedra e matariam uns aos outros.

Somente quando muitos já haviam morrido e os poucos que restaram se encontravam extenuados pela batalha é que Jasão se apresentou para o combate exterminando os restantes. Surpreso com a vitória do forasteiro, o qual ele achou que jamais conseguiria realizar as tarefas, Eetes descumpriu sua palavra recusando-se a entregar o Velocino de Ouro, e idealizou um plano para matar Jasão e incendiar Argo. Mais uma vez o herói foi salvo por Medéia que tomando conhecimento das intenções do pai, avisou Jasão do perigo que corria. Levou o herói às escondidas onde ficava guardado o precioso Velocino e adormeceu a enorme serpente que o guardava com seus mágicos cantos e, juntamente com Jasão, roubou o Velocino de Ouro. Em seguida, embarcou com os argonautas levando o Velo e Apsirto, filho do rei, tomado como refém.

A morte de Apsirto

Sentindo-se duplamente enganado, Eetes partiu pelos mares em busca de seus filhos. Medeia, sabendo da atitude do pai, matou e esquartejou impiedosamente o irmão Apsirto, lançando seus restos mortais ao mar a fim de atrasar a perseguição, com efeito. Ao ver os restos do filho boiando, Eetes desesperado, se deteve a recolhê-los pois queria dar um funeral digno ao seu filho. Argo tomou distância mas acabou por se desviar da rota porque Zeus, revoltado com a natureza do crime praticado por Medeia, enviou uma borrasca que atingiu a embarcação. Era necessário purificar-se de tão hediondo crime ou não conseguiriam chegar vivos ao seu destino e por isso aportaram no reino de Circe, maga que através de suas magias e encantamentos os purificou, aplacando a ira dos deuses.
 
Pélias, ao ver chegar o chefe dos argonautas trazendo o Velocino de Ouro, recusou-se a honrar sua palavra devolvendo-lhe o trono. Enraivecido, Jasão clamava por vingança, porque além de recusar-lhe o poder sobre Iolco, o rei, aproveitando-se de sua ausência, induziu seus pais ao suicídio, e em seguida assassinou seu irmão Promaco. Mais uma vez Medeia veio em seu auxílio para vingá-lo. Fazendo-se amiga das filhas do rei, diz-lhes que é capaz de rejuvenescer quem ela quiser. Para o provar, mandou esquartejar um carneiro velho e colocou-o dentro de um caldeirão com uma poção fervente. Tendo feito um feitiço, ela retirou o animal, inteiro e de bastante boa saúde. As meninas, excitadas, correram a esquartejar o seu pai Pélias e lançar os seus pedaços dentro do caldeirão. Como é óbvio, ele não voltou a sair de lá com vida. Depois deste incidente macabro, Medeia fugiu com o seu amado para Corinto, onde o triste fim de Jasão se aproximava.

Em Corinto, a felicidade de Medeia foi de pouca duração. Já com filhos de Jasão, foi alvo da intriga do rei Creonte que influenciou Jasão a deixá-la, de modo a casá-lo com a sua filha, Creúsa (ou Glauce). Tendo convencido Jasão, tratou de banir Medeia de Corinto. Esta, contudo, antes de abandonar a cidade, ainda conseguiu vingar-se, novamente aliando astúcia com magia. Fez chegar às mãos de Creúsa um vestido e jóias - um presente literalmente envenenado, já que cada acessório tinha sido embebido numa poção secreta. Assim que a sua rival se vestiu, sentiu o seu corpo invadido de um fogo misterioso que logo se espalhou para o seu pai, que a tentou socorrer, bem como para todo o palácio - episódio este que tem semelhanças com a morte de Hércules.

Medeia mata seus filhos para se vingar do marido infiel

Alguns narradores contam que Medeia, em fuga, não teve possibilidade de levar consigo os filhos que, perante a negligência de Jasão, foram apedrejados até à morte pela família de Creonte, como vingança. Contudo, a versão mais conhecida é ainda mais sombria e deve-se a Eurípides, na sua tragédia é a própria Medeia quem mata os filhos antes de fugir para Atenas, não num acesso de loucura, mas num ato de fria vingança em relação ao marido infiel. Eurípides foi, na altura, acusado de ceder perante um elevado suborno de cidadãos coríntios que preferiam uma versão onde não fosse o povo daquela cidade a cometer o infanticídio.

Medeia fugiu para Atenas, onde se casa com o Rei Egeu. Eles tiveram um filho, Medo. Quando Teseu, o outro filho de Egeu, volta, Medeia tenta envenená-lo, mas essa já é outra história...

Existem muitas versões para o final de Jasão. Na primeira delas, o herói, desesperado devido a morte de Creusa e seus filhos, se suicida. Em outra, quando descansava sob a sombra de Argos, morreu esmagado pela popa do próprio navio que desaba sobre ele.

A Lenda da Bruxa de Blair



Todo mundo já deve ter visto ou pelo menos ouvido falar do filme A Bruxa de Blair, que é um longa de terror que fez um sucesso gigantesco no fim dos anos 90. O filme contava a história de 3 jovens que foram para a floresta de Burkittsville, Maryland, Estados Unidos, para gravar um documentário sobre uma lenda local de uma bruxa.

Durante o filme a lenda que eles investigam se mostra real e a bruxa os deixa perdidos na floresta, fazendo com que todos corram. Contudo o que deixou o longa mais famoso foi que ele era gravado como se fosse tudo real, mas não era. Apesar disso, a lenda da bruxa existe, e ela tem seu fundo de verdade...


A história dessa cidade, chamada de Blair, é mais antiga do que se possa imaginar, remontando ao ano de 1771, que foi a data de sua fundação, quando ela tinha não mais do que duas ruas e uma dúzia de casas. Durante 14 anos a cidade prosperou normalmente, até que no fim de 1785, uma mulher que vivia no local, Elly Kedward, foi acusada de bruxaria. Algumas crianças disseram que ela as levava para sua casa e tirava sangue dos pequenos.

No meio do rígido inverno daquele ano,  a suposta bruxa foi expulsa do vilarejo, sendo abandonada na floresta a sua própria sorte, o que certamente deve ter causado sua morte por hipotermia.


Durante um ano, a cidade de Blair viveu em paz, e o problema parecia ter sido definitivamente resolvido. Mas depois de um ano,  as coisas começaram a ficar feias na cidade. Durante o rigoroso inverno de 1786, todas as crianças e adultos locais que haviam acusado Elly de bruxa simplesmente desapareceram sem explicação alguma. Todos que sobraram juraram jamais citar o nome da bruxa de novo.


Em 1825, logo depois da cidade deixar de se chamar Blair e se tornar Burkittsville, as coisas começaram a ficar realmente assustadoras, pois a morte de uma criança fez com que todos temessem a volta da bruxa, pois no mês de agosto daquele ano 11 pessoas assistiram uma menina de apenas dez anos morrer afogada no riacho Tappy East. Todos que assistiram o terrível acontecimento dizem que viram claramente uma mão pálida brotar da água e puxar a menina para morte. O corpo dela jamais foi encontrado.

Em março de 1886, Robin Weaver, 8 anos, desaparece. Várias equipes de resgate o procuraram.
Mais de um dia se passou e o grupo de busca não retornou, muito menos o menino sumido. Pensando que talvez os homens estivessem perdidos, talvez por causa da noite ou quem sabe a floresta poderia ter os enganado. Por esse motivo uma segunda equipe partiu em busca da primeira e ainda acreditando que poderiam achar o pequeno garoto.

Depois de algumas horas de busca os primeiros homens foram encontrados, mas aquela altura eles eram apenas pedaços, pois todos tinham sido estripados e suas vísceras estavam espalhadas pelo chão, com as mãos e pés amarrados.

As buscas foram suspensas, pois não havia ninguém com coragem o bastante para entrar na maldita floresta de novo, pois todos temiam o mesmo fim dos primeiros homens que lá entraram. Por isso Robin Weaver jamais foi visto nesse mundo novamente e seus pais não tiveram um corpo para enterrar.



Anos se passaram e a lenda da Bruxa ainda estava viva na mente de todos. Contudo em 1925, doze anos depois de ter ido morar na cidade de Burkittsville, Rustin Parr resolveu construir uma casa no meio da mata, em um lugar que ficava a mais de quatro horas de caminhada da cidade.
Rustin Parr vivia em meio à floresta, totalmente isolado. Algumas vezes ele era visto vagando pelo mato com um cachimbo no canto da boca. A quem diga que ele conversava com as árvores ou mesmo com um ser que ninguém via. Alguns diziam que Rustin era louco, outro apenas achavam que ele amava a natureza mais do que tudo.

Enquanto isso, começando por Emily Hollands, sete crianças são raptadas da área que cerca Burkittsville, em novembro de 1940 a maio de 1941.


No dia 23 de maio de 1941, Rustin Parr, o maluco da floresta, entra em um comércio do local e diz ter terminado seu trabalho. As pessoas comunicam sua estranha fala à polícia. Após procurar a casa dele na floresta, a polícia encontra os corpos das sete crianças no porão. Foram assassinadas seguindo um ritual no qual se retira as vísceras do corpo. Ele disse que cometeu os assassinatos por causa de um fantasma de uma velha que rondava a floresta perto de sua casa. Rustin foi condenado à forca.

Rustin Parr

Por sorte Kyle Brody foi uma das crianças que conseguiu, em um momento de descuido, fugir da casa e chegar até a cidade. E seu testemunho foi a chave para descoberta do criminoso que estava sequestrando as crianças. Os corpos dos sete mortos foram encontrados embaixo da casa de Rustin, todos em decomposição avançada.

Depois disso o estranho homem que vivia no meio da floresta foi a julgamento e recebeu a pena de morte por enforcamento. No dia 22 de novembro de 1941, Rustin Parr foi enforcado. Todos acharam que tudo estava acabado e que desta vez a maldição da Bruxa havia terminado, porém ainda faltava algo e o único sobrevivente do massacre das crianças tinha um futuro sombrio pela frente.


No ano de 1957, Kyle Brody, o garoto que viu todos os outros serem mortos, foi internado em um hospício depois de ter sido preso varias vezes por vagabundagem. E durante anos foi sendo jogado de um manicômio para outro, sempre causando problemas com ataques de raiva e delírios.

Em 1961, depois de receber a refeição do dia Kyle pegou a colher de madeira que recebeu para comer e começou a raspa-la no chão até que ficou afiada. Com a arma pronta ela a enfiou bem fundo em seu próprio pulso, rasgando sua carne e veias, fazendo o sangue jorrar para todos os lados enquanto a vida ia deixando seu corpo…


Assim morreu, sangrando até a morte, o último amaldiçoado de Burkittsville e o trabalho da Bruxa estava completo, pois todos os envolvidos com aqueles ritos satânicos tiveram uma morte macabra.
Hoje em dia algumas pessoas ainda visitam a floresta de Blair, em busca da Bruxa, mas ela jamais se manifestou de novo, mas como se sabe ela costuma sumir de tempos em tempos, até sua historia sumir da memória, então ela volta com um golpe ainda maior, matando todos que estiverem envolvidos, sejam homens ou crianças, pois a maldição da Bruxa de Blair jamais se extingue, apenas espera a hora certa para atacar e ser lembrada novamente... 

E então, que tal fazer uma visitinha até Burkittsville?

sábado, 3 de novembro de 2012

Cadmo

Zeus encantou-se com a beleza de Europa, filha do rei Agenor, e para seduzí-la, transformou-se em um magnífico touro branco e misturou-se ao rebanho de Agenor, que sempre pastava na praia. A jovem, que divertia-se na praia com suas amigas, ao ver o animal aproximou-se, acariciou-o e, encantada com a sua docilidade, montou-o. No mesmo instante, o touro disparou mar adentro, levando Europa consigo até a ilha de Creta, onde Zeus deu-se a conhecer amando a jovem.


Agenor, desesperado, ordenou a seu filho Cadmo que saísse à procura da irmã e que não ousasse voltar sem ela. Cadmo resolve explorar as diversas ilhas que cercam a Grécia, mas não teve êxito. Saiu então mundo afora com seus fiéis companheiros, interrogando os habitantes dos diferentes lugares, em vão: ninguém tinha noção do paradeiro de Europa e, não se atrevendo a regressar sem cumprir a missão, Cadmo decide consultar o oráculo de Apolo.

A resposta não é a que Cadmo espera: os deuses ordenam que ele abandone sua busca, pois nunca encontrará Europa. E como ele não poderá tornar à casa paterna, os deuses ainda ordenam que ele funde uma nova cidade. "Ao sair do santuário, você encontrará uma vaca", disse o oráculo. "Siga o caminho pelo qual ela o guiar. Na campina em que a vaca se detiver, funde uma cidade e lhe dê o nome de Tebas." Depois de agradecê-lo, Cadmo obedeceu suas instruções e seguiu a vaca, que anda incansavelmente por dias e noites, até se deitar, exausta, em um campo. Era ali que se localizaria a nova cidade.

Cadmo quis oferecer o animal em sacrifício aos deuses. Como precisava de água pura para as libações, mandou os companheiros irem buscá-la. Perto, estendia-se um velho bosque, que jamais fora profanado pelo machado, no meio do qual havia uma gruta, escondida pelo mato espesso, com o teto formando uma abóbada baixa, da qual saía uma fonte de água puríssima. Na caverna dormia uma enorme serpente, de grande crista e escamas que brilhavam como ouro. Seus olhos flamejavam como fogo, a boca era repleta de veneno e continha três fileiras de dentes. Mal haviam os soldados mergulhado suas vasilhas na fonte, provocando um ruído na água, a brilhante cobra levantou a cabeça fora da gruta e soltou um silvo horripilante. Os servos deixaram cair as vasilhas, o sangue lhes fugiu da face e eles se puseram a tremer da cabeça aos pés. Aterrorizados, não podiam fugir nem lutar, e o monstro os matou facilmente.


Enquanto isso, Cadmo juntava algumas pedras grandes e construiu um altar, onde dispôs a lenha necessária para o fogo sacrificial. Devia respeitar os ritos se quisesse que a cidade nascesse sob boas bençãos. O sol já ia alto no céu, e nenhum dos seus companheiros voltara. Inquieto, Cadmo se perguntava o que os teria retardado. Decidiu então sair à procura deles.

Tendo sua lança como única arma e, a exemplo de Hércules, uma pele de leão como couraça, entrou na floresta. Não demorou a encontrar a nascente. Mas um horrível espetáculo o esperava. Uma serpente gigantesca acabava de devorar seus queridos companheiros. Cadmo não hesitou. Ergueu a lança, atacou o monstro. Sua tristeza superava o terror que sentia, e ele só tinha uma idéia em mente: vingar os mortos ou compartilhar a sorte deles. O ferro penetrou na pele escamosa, e jatos de um sangue escuro jorraram. Mas o réptil só fora atingido de leve. Como ele não parava de se contorcer, a ponta da lança saiu da ferida. E o monstro, enfurecido, saltou sobre o herói, que escapou por um triz. Atacando a serpente mais uma vez, espetou-a e a obrigou a recuar. De súbito, ela se chocou com um galho grande de um carvalho, que transpassou sua garganta, e, ferida mortalmente, foi ao chão. 


Quando o vencedor contemplava seu adversário e chorava a perda dos amigos, a deusa Atena lhe apareceu: "Recolha os dentes do monstro", ordenou. "Semeie-os e verá nascer um exército de soldados. Entre eles encontrará novos companheiros." Cadmo efetuou a estranha semeadura.
Assim que enterrou os dentes, logo apareceu um elmo aqui, a ponta de uma lança ali, ombros, braços, e por fim um pequeno exército de guerreiros cresceu entre os sulcos recém-abertos. Teriam atacado Cadmo, se este não tivesse tido a idéia de lançar, de longe, uma grande pedra no meio deles; assim, sem saber de onde veio a pedra, começaram a atacar uns aos outros, parando apenas quando restavam apenas cinco deles; estes cinco se juntaram a Cadmo e se tornaram os fundadores das primeiras famílias de Tebas.


Cadmo ensinou o alfabeto aos gregos e Tebas tornou-se rica e poderosa. Casou-se com Harmonia, filha de Afrodite e Ares, e teve os filhos: Autonôe, Polidoro, Ino, Sêmele e Agave. A fatalidade, porém, pesava sobre a família de Cadmo, por ter ele matado a serpente consagrada ao deus da guerra, Ares. Os deuses amaldiçoaram Cadmo, sua esposa e toda a sua descendência. Por isso, a vida de seus filhos, netos e todos os que vieram depois foram marcadas por tragédias.  

Sua filha Autônoe casou-se com Aristeu (o mesmo que provocou a morte de Eurídice) e foram os pais de Acteão. Já crescido, quando Acteão estava a caçar na floresta deparou-se com a deusa Ártemis e as suas ninfas banhando-se nuas em um lago. Famosa por sua castidade, Ártemis ficou indignada e transformou Acteão em um veado, que foi devorado por seus próprios cães de caça. Noutra versão, ele teria se gabado de que era um melhor caçador do que a deusa, e acabou recebendo tal castigo.



Ino, enlouqueceu e se atirou de um precipício junto com seu filho. Sêmele era amante de Zeus. O deus atendeu ao seu pedido de mostrar-se em todo o seu esplendor e ela foi fulminada pelos raios que dele emanava. Zeus conseguiu salvar o filho e guardá-lo em sua própria coxa, onde ele completou seu desenvolvimento. Quando Dioniso nasceu, foi entregue para ser criado pelas ninfas pois foi rejeitado pela família de Sêmele que se recusou a prestar-lhe um lugar de honra em Tebas pois não acreditavam que ele era filho de um deus.

A última filha Agave tinha se casado com Equion, um dos guerreiros nascido dos dentes da serpente. Eles eram os pais de Penteu que herdou o trono de Cadmo em sua velhice. Depois de crescido, o deus do vinho e da loucura, Dionísio, retornou a Tebas com suas Bacantes, suas endoidecidas seguidoras. Mas lá, Penteu proibia o culto ao deus. Dionísio então alucinou as mulheres de Tebas, inclusive Agave, fazendo com que elas o acompanhassem junto as Bacantes. Em êxtase elas atacaram Penteu e o despedaçaram. Ainda em estado de êxtase Agave retornou à sua casa carregando a cabeça de seu filho Penteu acreditando que fosse a cabeça de um leão da montanha que havia caçado. Ao perceber a expressão de horror de Equion, lentamente Agave percebeu a tragédia consumada e enloqueceu de vez.


Cadmo e Harmonia saíram de Tebas, que se lhes tornara odiosa, e emigraram para o país dos enquelianos, que os receberam com honras e fizeram de Cadmo seu rei. O infortúnio de seus filhos continuava, porém, a atormentar o casal, e, certo dia, Cadmo exclamou: — Se a vida de uma serpente é tão cara aos deuses, eu preferia ser uma serpente. Imediatamente, começou a mudar de forma. Harmonia viu o que estava acontecendo e implorou aos deuses que a fizessem compartilhar do destino do marido. Ambos transformaram-se em serpentes. Viviam nos bosques, mas, cientes de sua origem, não evitavam a presença do homem, nem faziam mal a quem quer que fosse.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Belerofonte e a Quimera

Belerofonte era filho adotado de Glauco, filho de Sísifo; Não se sabe muito sobre ele até a sua juventude, quando matou involuntariamente o sei irmão Belero, um tirano de sua cidade natal, Corinto. A partir daí, o herói, que originalmente se chamava Hipónoo, adquiriu o nome de Belerofonte, que significa "aquele que matou Belero". Porém, com a morte dele, Ares pede a punição do herói, fazendo com que ele tivesse de sair da região, acabando por viajar até Tirinto, uma cidade vizinha.

Lá, Belerofonte é bem recebido pelo rei Preto e sua mulher Estenebéia, governantes de tal região. Ele se põe a serviço do rei, e após algum tempo, a rainha começa a amar o rapaz, belo como um deus. Assim, em um dia em que Preto estava ausente, Estenebéia fala com o jovem, ao passo que é rejeitada, devido aos laços de hospitalidade e amizade que o herói possuía com o rei. Porém, assim  que essas palavras lhe saem da boca, o amor da rainha por ele logo transforma-se em ódio. Consumida por ele, ela diz ao marido que o convidado havia assediado-a, e pede para que ele fosse morto. 

Buscando não manchar suas mãos com o sangue de seu convidado e logo depois ser punido, o rei manda Belerofonte para a Lícia, região a qual estava sob o poder de Iobates, pai de Estenebéia. Junto a ele, o rei envia uma carta, a qual dizia a situação, e que por isso o herói deveria morrer. Assim, o jovem ruma para a Lícia, e ao chegar, é recebido com muita festa pelo rei. Só depois Iobates lê a carta, depois de o ter recebido como hóspede e ter partilhado com ele uma refeição na festa – logo, segundo a lei sagrada da hospitalidade, não o poderia matar, também pelo mesmo motivo que Preto não pôde. Movido, contudo, pelo desejo de Preto, Ióbates encarrega-o de uma missão da qual Belerofonte muito dificilmente sairia vivo: matar o monstro Quimera, que devastava a região, atacando rebanhos.

A Quimera era um monstruoso produto da união entre Equidna - metade mulher, metade serpente - e o gigantesco Tífon.  A Quimera tinha cabeça e corpo de leão, com uma outra cabeça anexa de cabra  ou de dração. Além de tudo, ela expelia fogo pelas bocas e também tinha um traiçoeiro rabo de serpente.

A Quimera

Antes de ir enfrentar o monstro, Belerofonte consulta Polieido, um adivinho da região, o qual diz-lhe que só iria vencer a Quimera caso ele montasse em Pégasus, o filho imortal de Poseidon, nascido do pescoço da Medusa cortada por Perseu. Agora Belerofonte tem dois problemas: matar a Quimera e domar o Pégasus. Ele começa a perguntar às pessoas da área, ao passo que todas respondem que nunca haviam visto o cavalo alado, ou que acreditavam nele apenas como lenda. Por fim, ele chega à conclusão de que apenas as ninfas ou as Musas saberiam a resposta. Com esse pensamento, ele põe-se a caminho do monte Hélicon, local o qual as filhas de Zeus habitavam.

Chegando lá, Belerofonte é recebido por três musas, e conversa com elas, mencionando o porque de ter se dirigido para lá. Elas o dizem que tal tarefa era quase impossível de ser realizada, mas mencionam sobre a fonte Pirene, onde elas reuniam-se para cantar, pois as águas forneciam inspiração e da qual se dizia que, quem dela bebesse, tornar-se-ia poeta. A fonte teria surgido de um coiçe de Pégaso.

No caminho até a fonte indicada pelas ninfas, Belerofonte encontra um templo dedicado à deusa Atena, e pede à deusa da sabedoria que guiasse-o, para que ele conseguisse domar o cavalo. Assim que acaba as oferendas, ele dirige-se para fora do templo, e dorme. Em seus sonhos, ele vê Atena, a qual lhe revela sua verdadeira paternidade: Poseidon. No sonho, ela lhe entrega uma rédea dourada e ordena que passasse-as no cavalo, o qual estava perto deles. Ele consegue domar Pégasus, mas apenas até acordar e perceber que fora um sonho. Mas surpreendentemente, as rédeas estavam realmente ao seu lado quando ele acordou.


Logo o herói já estava de volta ao seu caminho, e rapidamente chegou aos arredores da fonte. Escondido, pacientemente esperou pela chegada de Pégasus, que aconteceu pouco tempo. Porém, assim que o cavalo chegara, ele havia percebido a presença de estranhos no seu local de descanso, e por nada acalmava-se. Pensando rapidamente, Belerofonte pega uma pedra e a joga para um arbusto atrás do cavalo, sem que ele veja. O barulho e o movimento conquistaram o olhar do animal, e antes que Pégasus pudesse se virar novamente, Belerofonte agarra-se em seu pescoço, passando rapidamente as rédeas nele. Assim que as rédeas são colocadas, Pégasus torna-se completamente amável.

Após um descanso na fonte, os dois tomam o caminho de volta à Lícia, e passaram a procurar a Quimera. Momentos depois, o herói vê uma área com troncos de árvores queimados, e vê em seguida a Quimera saindo de seu esconderijo, para ver o que ocorria fora de sua toca. Assim que vê os inimigos, o monstro começa a lançar bolas de fogo, sem sucesso. Pégasus e Belerofonte voavam alto, garantindo a escapada dos ataques. Do alto, Belerofonte pegou uma lança e arremessou em direção a Quimera, acabando por conseguir matar o monstro.


Assim, Belerofonte volta até Iobates com a notícia de que havia derrotado a Quimera. Porém, o rei planejava livrar-se dele a qualquer custo, e manda-o em direção à uma tribo de belicosos guerreiros, os quais ele mata a maioria do alto, cavalgando Pégasus, e o resto dispersa-se após tal ataque. Ainda tentando matar o herói, Iobates manda-o atacar as Amazonas, guerreiras extremamente fortes e perigosas, confronto o qual ele também sai vencedor. Porém, assim que se dirige à cidade, ao longo do rio Xanto, ele é recebido pelos guerreiros do rei.

Vendo número tão grande de guerreiros ele lembra-se da informação de Atena acerca de sua paternidade e pede ajuda à Poseidon. Assim que solicita ajuda ao seu pai, uma parede de água formou-se atrás dele, e à medida que ele avançava, também avançavam as águas em suas costas. Os soldados do rei bateram em retirada. 


Convencido, então, de que Belerofonte só pode ter origem divina, Iobates o casa com sua filha.   Tempos depois, um mensageiro chega até Preto com uma carta de Iobates, dizendo a real situação. Com isso, o mundo de Estenebéia foi abaixo pois toda aquela farsa veio á tona, e ela perdeu todo tipo de riqueza e fora banida do palácio. Recusando-se a viver como uma cidadã normal, ela acaba por encontrar seu fim em uma corda na árvore. Após a morte de Iobates, o trono passa para Belerofonte.

Porém, com o tempo, o poder subiu à cabeça de Belerofonte, somado ao fato de ele ser filho de Poseidon, fazendo-o achar que poderia comparar-se aos olimpianos. Nisso, ele pega Pégasus e ruma em direção ao Olimpo, voando cada vez mais alto. Ao ver a audácia do herói, Zeus manda uma vespa para picar o cavalo. Assim que sentiu a picada, o animal começou a debater-se com seu cavaleiro em suas costas, derrubando-o. Porém, antes de atingir o chão, Atena salva-o, portanto Belerofonte não morreu com a queda, mas sim como um mendigo louco e aleijado procurando Pégaso.

Belerofonte tentando subir ao Olimpo

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Tifão

Gaia, a Terra, para vingar a derrota de seus filhos titãs na luta contra os deuses, uniu-se a Tártaro, as trevas abismais, gerando Tifão (ou Tífon). Ao perceber que estava grávida, aproveitou e transformou seu ainda não nascido filho em uma semente e deu a Hera, que sem suspeitar de nada plantou a semente no jardim do Olimpo. Quando Tifon surgiu todos os deuses fugiram apavorados para o Egito (razão pela qual esse povo dava aos seus deuses configurações zoomórficas e tinham seus animais como sagrados). Apolo tornou-se um falcão (Hórus), Ártemis uma gata (Bastet), Dioniso um bode (Osiris), Hefesto um boi (Ptah) etc. Apenas Atena teve coragem de permanecer na forma humana.

Eles tinham motivos para sentir tanto medo. Tífon era tão grande que sua cabeça tocava os astros celestes e suas mãos iam do Oriente ao Ocidente. As vigorosas mãos desse gigante trabalhavam sem descanso, e os seus pés eram infatigáveis; sobre os ombros, erguiam-se as cem cabeças de dragão, de cada uma se projetava uma língua negra e dos olhos das monstruosas cabeças jorrava fogo; o monstro emitia mil sons inexplicáveis e, por vezes, tão agudos que os próprios deuses não conseguiam ouvi-los; ora o poderoso mugido de um touro selvagem, ora o rugido de um leão feroz. A monstruosidade de Tífão superava a de todos os outros filhos de Gaia e nunca se havia visto antes um monstro tão gigantesco e horrendo quanto ele.


Zeus vs Tifão

Zeus, irritado com a própria covardia, volta a sua forma original e enfrenta o gigantesco inimigo. Zeus atingia Tifão com seus raios, mas este consegue derrubá-lo e utiliza uma foice para arrancar as veias principais de Zeus, o deixando inconsciente e conseguindo, assim, roubar os seus raios. Os raios e as veias de Zeus foram confiados a Delfim - um dragão que habitava a Cilícia. Tífon arrasta Zeus para uma caverna e o prende, pedindo para que a monstra Delfina o vigie enquanto Tifon sai a procura dos outros deuses.

Mas Hermes, junto com Pã, conseguiu libertar Zeus assustando Delfina (pois Pã é o deus do pânico). Hermes acha as veias de Zeus e as costura, entregando ao deus também os seus raios. De posse novamente de seus poderes, Zeus força Tifão a fugir para o monte Nisa onde as Parcas dão-lhe de comer, pois estava esfomeado, frutos que lhe diminuem a força. Ainda em fuga chega à Trácia onde pelo tanto do sangue derramado deu nome ao monte Hemos. Ainda perseguido, vai Tifão para a Sicília e depois Itália, onde Zeus, concentrando todas as forças, fulmina todas as cabeças do monstro que cai sobre a terra com estrondo. Zeus prende Tifão no monte Edna, onde o monstro continua a lutar pra se libertar, sacudindo toda a ilha com os terremotos. Suas chamas ainda saem através da montanha e é o que os homens chamam de erupção vulcânica.

Junto à esposa Equidna, Tifão foi pai de vários dos terríveis monstros que povoam as aventuras de heróis e deuses, como o Leão de Neméia, a Hidra de Lerna, a Quimera e Cérbero.

domingo, 5 de agosto de 2012

Os Vilões de Batman


E aí, pessoal, fim de férias, né?? Pois é, só de pensar já bate aquela deprê... Mas vamos falar de coisa boa! "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge" continua em cartaz, agradando muito a todos aqueles que esperaram tão ansiosamente para assisti-lo. Cristopher Nolan, que se mostra um dos grandes cineastas atuais, nos presenteou com mais um filme sensacional, muito foda mesmo, que encerra perfeitamente a trilogia épica do homem morcego. Você até para de pensar que um atirador vai entrar na sala e atirar contra todo mundo, de tão bom que o filme é, rs.

Mas é importante saber um pouco dos quadrinhos pra compreender melhor o filme. É bom conhecer um pouco da história de Bane e principalmente de Ha's Al Ghul e sua filha, pra você ficar mais por dentro do que acontece no longa.

Mas não se precocupe, porque o Monte Olimpo quebrará o seu galho! Neste post, vamos conhecer não só a história de Bane e Ra's Al Ghul, que é essencial para a melhor apreciação e entendimento do longa, mas sim de todos os principais arquinimigos do Batman, afinal, o cavaleiro das trevas tem a galeria de vilões mais legais e interessantes do universo das histórias em quadrinhos e vale a pena ficar sabendo um pouco mais sobre o "begins" de cada um. Quem nunca quis conhecer o passado do Coringa, por exemplo, e descobrir porque ele se tornou tão insano? Bom, descubra agora. Boa leitura!

Coringa (Primeira aparição: Batman 1, 1940)


A versão mais aceita de sua origem até hoje é aquela estabelecida por Alan Moore na clássica "Batman: a piada mortal", que mostra o futuro Coringa (The Joker) como um homem casado e, dentro do possível, até mesmo feliz. Assistente de laboratório da Indústria Química ACE, que fabricava cartas de baralho, em Gotham, ele deixa seu emprego no intuito de seguir o sonho de se tornar um grande comediante. Mas se arrepende armagamente pois logo percebe que ninguém ria de suas piadas e ele não tinha futuro na carreira de humorista. Pra piorar, a sua esposa engravida e ele, desempregado e com sérios problemas financeiros, decidi se envolver com um grupo de ladrões para roubar a fábrica química na qual trabalhava. Assumiu nesse dia o disfarce de um criminoso conhecido como Capuz Vermelho. As coisas começam a dar errado quando, no dia planejado para o assalto, sua esposa morre eletrocutada em um acidente doméstico. Sem motivos para seguir seu plano, o futuro Coringa pensa em desistir, mas acaba sendo obrigado por seus capangas a continuar o plano, mas então surgem Batman e Robim. Os dois criminosos são capturados enquanto que o homem que se passava pelo Capuz Vermelho acaba entrando em pânico ante a presença do Cavaleiro das Trevas e cai em um tonel de lixo tóxico proveniente do material de tintura das cartas. Ele foi dado como morto mas 10 anos depois ressurge com a pele branca, cabelos verdes e os músculos de seu rosto haviam se contraído severamente, deixando-o com um indelével sorriso, de aparência histérica. O choque dessa metamorfose inesperada, aliado aos problemas que já vivia, foi maior do que a sua mente já terrivelmente atormentada poderia suportar, resultando no nascimento do Coringa. Mas na própria revista há um momento em que há confusão. Próximo do fim, na discussão sobre origens, o Coringa diz que ele próprio se confunde com o que ocorreu. "Não sei ao certo o que aconteceu. Às vezes me lembro de algumas coisas, às vezes não me lembro de nada... Se é para ter um passado, prefiro que seja um passado com múltiplas escolhas!"

Outra versão fala de Joseph Kerr, como o futuro Coringa. Seu pai, em um momento de raiva, ao ver Joseph chorar, perguntou porque ele estava tão serio ("Why so serious?"), e logo depois cortou a boca de seu próprio filho, deixando-o com uma cicatriz no lado esquerdo do rosto. As crianças com quem estudava o consideravam estranho. Ele arrumou briga com um colega de escola e fez o garoto ir para o hospital e levar 12 pontos na cabeça. Após ter sido expulso de várias escolas, desistiu dos estudos. Seu pai o considerava louco e desconsiderava ele como filho. Um dia, já atingida sua adolescência, ele fugiu de casa e incendiou a casa com seus pais dentro. Enquanto olhava a casa queimar cortou a outra parte de sua boca formando um sorriso completo em seu rosto. Não se sabe o que fez em seguida: acredita-se que virou ladrão de joalherias e assumiu o nome de Jack Napier até se transformar no Coringa.

A insanidade do "Palhaço do Crime" quase levou Batman à loucura em mais de uma vez. Uma delas foi quando o criminoso aleijou a filha adotiva do comissário Gordon, Bárbara Gordon (a Batgirl, que na cadeira de rodas virou a Oráculo), e tentou enlouquecer o policial mostrando-o diversas fotos da tragédia. Outra foi quando espancou e assassinou o segundo Robin, Jason Todd. O Coringa fora criado a partir de uma foto de Conrad Veidt no filme "The Man Who Laughs" (1928).

Arlequina (Primeira aparição: Batman: A Série Animada, 1992)


Harleen Quinzel destacou-se durante o período escolar como uma ágil ginasta, o que lhe permitiu obter uma bolsa de estudos para estudar Psiquiatria na Universidade de Arkham (para onde iam todos os vilões psicóticos capturados por Batman). Para conseguir boas notas, usou por diversas vezes de artifícios censuráveis, como seduzir os professores.

Depois de concluir a faculdade, começou a trabalhar como psiquiatra no Asilo Arkham, onde conheceu Coringa, seu paciente, pelo qual Quinzel apaixona-se profundamente. As autoridades suspeitaram que ela tenha sido a responsável por ajudar o Coringa a escapar por diversas vezes do asilo e, por isso, a aprisionaram. Durante um terremoto em Gotham City, Quinzel escapa da prisão e transforma-se em Arlequina (alcunha baseada no arlequim que foi proposta pelo Coringa como um trocadilho ao seu nome original). Ela torna-se uma fiel parceira de Coringa no crime. Contudo, o criminoso logo se cansou de suas afeições e tentou se livrar dela prendendo-a dentro de um foguete que caiu nos arredores de Robinson Park. Ela foi resgatada pela Hera Venenosa, mas depois de um tempo Arlequina acabou se reconciliando com seu amado e espera um dia levá-lo ao altar.. se o Coringa não matá-la primeiro.

Pinguin (Detective Comics 58, 1941)


Oswald Chesterfield Cobblepot teve uma infância miserável. Ainda era jovem quando seu pai faleceu vítima de broncopneumonia. Atribuindo isso ao fato de seu marido ter saído na chuva sem um guarda-chuva, a Sra. Cobblepot passou a insistir que o filho sempre saísse de casa carregando um, independente do clima. Isso, aliado ao excesso de peso do menino fizeram com que ele se tornasse o alvo preferido das gozações de outros garotos, especialmente de um valentão apelidado "Cação", que lhe deu a alcunha pelo qual seria conhecido no futuro: Pingüim. Amargurado, o jovem Oswald, certo dia conseguiu se vingar de Cação, espancando-o selvagemente. Em represália, Cação destruiu a loja de aves da Sra. Cobblepot, matando os pássaros que Oswald considerava seus únicos amigos no mundo.

Anos mais tarde, graças à ajuda de uma tia, Oswald ingressou na faculdade, formando-se em ornitologia, a ciência que estuda os pássaros. Apesar da vida razoável que levava, Oswald carregava consigo muita raiva acumulada desde a infância e, quando isso explodiu, passou a usar seus conhecimentos em ornitologia para cometer crimes, adotando o infame apelido que recebera na infância. Para tal, passou a usar os pássaros e uma série de guarda-chuvas adaptados que podem ser convertidos em metralhadoras, lança-chamas, lançar gás, ácido e trazer uma série de outros recursos.

Mulher Gato (Primeira aparição: Batman 1, 1940)


Depois do suicídio de sua mãe e do falecimento de seu pai, a jovem Selina Kyle foi mandada para o orfanato Seagate. Independente demais para aceitar as regras do lugar, Selina foi por várias vezes punida pela diretora do local. Ao conseguir secretamente um código que desativava os alarmes do local, ela passou a visitar os telhados do orfanato todas as noites.

Certa vez, depois de ser mandada para a solitária, Selina descobriu que a diretora do Seagate desviava parte dos recursos destinados à instituição (uma fundação filantrópica) para seu próprio bolso. Selina decidiu então usar essa informação para chantagear a mulher e acabou enfiada dentro de um saco e jogada de um precipício em um rio, para que morresse afogada. Mas a futura Mulher-Gato conseguiu escapar viva e, livre, passou a roubar para sobreviver. Mais tarde, se tornou uma prostituta na zona boêmia de Gotham City. Nessa época, Batman começou a fazer suas primeiras aparições na cidade e seus atos inspiraram Selina. Ela confeccionou um uniforme e valendo-se das habilidades adquiridas em seus anos de vida bandida, se tornou uma ladra profissional. Surgia assim a Mulher-Gato.

Apesar de ter sido introduzida originalmente para ser mais um dos inimigos combatidos pelo Homem-Morcego, seu status como vilã é um tanto ambíguo. Selina segue seu próprio código moral (ela nunca mata) e ocasionalmente se une ao Batman para combater uma ameaça em comum. Ou para pedir ajuda. Isso forjou um estranho laço de amor bandido e tensão sexual entre ambos.

Bane (Primeira aparição: Batman: Vengeance of Bane 1, 1993)


Apesar de ser um vilão de segundo escalão e praticamente criado sob encomenda, Bane conseguiu o que nenhum dos inimigos do Batman havia conseguido até então: subjugar e derrotar o herói.

Bane nasceu condenado à prisão perpétua, por causa dos crimes cometidos por seu pai, o Rei Cobra. Aos oito anos de idade, cometeu seu primeiro assassinato, matando um criminoso que queria usá-lo como moeda de troca de informações na prisão. Sua única companhia era seu ursinho de pelúcia chamado Osito. O urso possuía um buraco em suas costas, no qual Bane escondia uma faca para usá-la contra qualquer um que tentasse ameaçá-lo.

 Mesmo aprisionado, Bane não deixou de aperfeiçoar suas habilidades naturais: dedicou-se à leitura de diversos livros, modelou seu corpo no ginásio da prisão e aprendeu a lutar para poder se defender de outros prisioneiros. Tornou-se lenda quando passou dez anos na solitária e saiu de lá (mais ou menos) são. Em certa ocasião, Bane desentendeu-se com outro prisioneiro e acabou sofrendo um acidente, que o deixou em estado de coma. Teve visões do seu futuro e descobriu que o medo de um morcego poderia impedi-lo de conseguir seus objetivos. Tornou-se obcecado pela leitura sobre Gotham City e seu guardião, conhecido como Batman, o Homem Morcego.

Inevitavelmente, sua resistência acabou chamando a atenção dos administradores do presídio, que o forçaram a tornar-se cobaia em experimentos com uma misteriosa droga viciante, conhecida como Veneno, a qual havia matado todas as cobaias anteriores. Bane sobrevive e tem sua força consideravelmente aumentada. Porém, necessita tomar o Veneno a cada 12 horas (através de um sistema de tubos que bombeiam a droga diretamente para o cérebro), sob pena da reação adversa de enfraquecê-lo ao extremo.

Apesar de ter sobrevivido ao Veneno, Bane fingiu-se de morto para poder escapar, já que a maioria dos mortos do presídio eram jogados no precipício. Lançado ao mar, livrou-se dos acessórios que o prendiam e rumou para Gotham City, com a intenção de destruir o morcego demoníaco que o atormentava em suas visões. Ele estava convencido de que o morcego em questão era Batman.

Advertido de que um confronto direto com Batman seria loucura, Bane usa sua força para derrubar as paredes do Asilo Arkham e libertar os mais perigosos criminosos da cidade, entre os quais estão Coringa, Espantalho, Chapeleiro Louco, Ventríloquo, Vagalume, Grande Tubarão Branco e Zsasz. A fuga em massa do manicômio sobrecarregou Batman, levando-o à exaustão, após três meses sem descanso de recaptura dos fugitivos.

Momento clássico das HQs, em que Bane quebra a coluna de Batman.

Ao retornar à Mansão Wayne, após cumprir sua missão, Batman encontra Bane esperando-o. Ao confrontar o Homem-Morcego na Batcaverna, Bane o deixa paralítico, ao quebrar-lhe a coluna. Sem poder mover as pernas, Bruce Wayne então deixa o posto de Batman, transferindo-o para Jean-Paul Valley (também conhecido como Azrael). Utilizando um sofisticado traje de combate, ao invés do tradicional uniforme de Batman, Jean-Paul derrota Bane, danificando os tubos que lançam o Veneno na corrente sanguínea de Bane e causando-lhe uma severa síndrome de abstinência. Após ser derrotado, Bane é enviado para a Prisão Blackgate.

Hera Venenosa (Primeira aparição: Batman 181, 1966)


A Dra. Pamela Lillian Isley era uma estudante de botânica apaixonada por seu professor, Jason Woodrue (também conhecido como o Homem Florônico), ela fazia tudo por seu amado e não hesitou até mesmo em se tornar sua cúmplice durante um assalto ao banco que ele idealizou. No entanto, depois de ter a ajuda que precisava, Jason envenenou Hera injetando-lhe toxinas de plantas venenosas.Mas em vez de morrer, ela desenvolveu imunidade a todos os tipos de venenos e também a capacidade de controlar plantas e acelerar ou desacelerar o crescimento das mesmas. Pamela ainda ganhou um toque mortal. Basta um beijo seu e qualquer pessoa fica sob seu comando. Um pouco mais de contato e a pessoa cai dura a seus pés. De Pamela Lillian Isley ela passou a se chamar Hera Venenosa – nome de uma planta peçonhenta.  Na sua carreira de criminosa usou plantas venenosas como arma mas logo passou a criar verdadeiros monstros vegetais e utilizou poderes como seus lábios venenosos. Uma inimiga perigosa, a motivação para seus crimes geralmente envolve seu desgosto com a forma como o ser humano trata o meio-ambiente, especialmente a flora do planeta.

Depois de salvá-la de uma das loucuras do Coringa, Hera virou amiga de Alerquina, a qual já se aliou muitas vezes em seus crimes e planos macabros. Ela provavelmente fez isso por ter se identificado com o fato de Alerquina também ser traída por um homem que amava. No entanto, Hera venenosa sente inveja da Mulher-Gato e um ódio profundo pela mesma, pois Hera também gostava e odiava o Batman, e a mulher-gato era uma barreira na sua relação com o homem morcego.

Duas Caras (Primeira aparição: Detective Comics 66, 1941)


Harvey Dent era um promissor promotor de Gotham City que forjou uma aliança com o então tenente (e mais tarde, capitão e finalmente, comissário) da polícia James Gordon e o Batman para limpar as ruas da cidade. Durante o julgamento do chefão do crime Moroni, o acusado jogou ácido no rosto de Harvey, desfigurando seu lado esquerdo e causando danos a sua mente. Dent enlouqueceu e assumiu o nome Duas-Caras.

Obcecado com a dualidade e os opostos, ele possui uma moeda de prata, com uma das faces riscada, que usa para tomar qualquer decisão relativa aos seus crimes. Geralmente antes de cometer um assassinato ele joga a moeda pra cima: se cair a face intacta, ele desiste; se cair a riscada, ele mata a tiros. Bob Kane inspirou-se em um anúncio do filme de Spencer Tracy, Dr. Jekyll and Mr. Hyde e concebeu a ideia de um vilão com dupla personalidade.

Charada (Primeira aparição: Detective Comics 140, 1948)


Edward Nashton era menino, quando um de seus professores fez uma competição para ver qual dos estudantes poderia montar mais rápido um determinado quebra-cabeças. Naquela noite, Eddie fotografou secretamente o quebra-cabeça montado que encontrou na escrivaninha do professor. No dia seguinte, o garoto venceu o concurso facilmente. Anos depois, já adulto, Nashton alimentou seu amor por quebra-cabeças. Desejando ganhar muito dinheiro, decidiu tornar-se um ladrão em grande escala e competir suas habilidades com a polícia e Batman. Mudando seu nome para Edward Nigma - "E. Nigma"-, Nashton vestiu uma fantasia verde cheia de sinais de interrogação e tornou-se o Charada, um fora-da-lei astuto que sempre deixava pistas de seus futuros crimes na forma de charadas e quebra-cabeças para artomentar a polícia e o Batman.

Sr. Frio (Primeira aparição: Batman 121, 1959)


Quando criança, Victor Fries divertia-se congelando animais. Horrorizados com o seu "hobby", seus parentes o enviaram para um rigoroso colégio interno, onde tornou-se infeliz, sem o menor sentimento pela humanidade. Mas foi lá que ele conheceu Nora, por quem se apaixonou e a qual seria sua futura esposa.

Algum tempo depois de casados, infelizmente, Nora contraiu uma doença fatal. Para conseguir o dinheiro necessário para ajudar a esposa, Victor arrumou um emprego em uma grande empresa, trabalhando com criogenia. Assim, ele descobriu uma maneira de congelar Nora, de forma a impedir o avanço da doença, preservando sua vida até que uma cura fosse encontrada.

Mas quando seu patrão, Ferris Boyle, descobriu o que Victor estava fazendo, decidiu parar o experimento e descongelar Nora. No conflito que se seguiu entre ambos, Victor foi atirado em uma mesa cheia de produtos usados na empresa. A reação deles com Victor teve um efeito inesperado, fazendo com que sua temperatura corporal caísse tanto que ele só poderia sobreviver em temperaturas abaixo de zero. Como resultado, Victor teve que desenvolver um traje refrigerado que mantivesse sua temperatura corporal nesses níveis. Para se vingar de Boyle, criou também uma pistola que congela seus alvos. Surgia assim o Sr. Frio.

O Espantalho (Primeira aparição: World´s Finest Comics 3, 1941)


Durante a adolescência, Jonathan foi um sujeito perturbado, que por seu tipo físico era motivo de piadas em seu colégio. Suas experiências como adolescente o levaram a se perguntar como funciona o medo na mente humana, o levando a estudar na Universidade de Psicologia de Gotham City, onde posteriormente foi professor. Certa vez, ele disparou um tiro contra um vaso, a fim de provar um ponto. O incidente fez com que ele fosse demitido. Despedido, ele se tornou então o Espantalho, símbolo do medo, e escondendo-se detrás de uma máscara assustadora  e munido de um gás que desperta o medo mais profundo da pessoa que o inala.

Ra's Al Ghul (Primeira aparição: Batman 232, 1971)


Ra's Al Ghul, o "Cabeça do Demônio", como é também conhecido, nasceu entre o século XV e XVI. Ele é imortal devido ao Poço de Lázaro, uma espécie de "fonte da juventude", que retarda o envelhecimento, cura ferimentos e doenças e pode até mesmo ressuscitar a pessoa que mergulha em suas águas.  Graças ao Poço de Lázaro, Ras Al Ghul sobreviveu por séculos acumulando riqueza, conhecimento e poder. Batman, entre outros, acredita que a imersão contínua nas águas do poço pode causar loucura e provavelmente ele está certo, afinal, quem ouve a proposta de Ra´s só pode encará-la como loucura. Líder enigmático de uma organização criminosa internacional, a Liga das Sombras, Ra's não se vê como um vilão, mas como o salvador da humanidade. Inconformado com as injustiças e problemas que observou afligirem a humanidade, concluiu que, para que esta alcançasse a paz, prosperidade e justiça, seria necessário que o tamanho da população fosse pequeno e controlado e que, ela toda, fosse guiada por um líder supremo (no caso, ele mesmo) que, tendo poder de vida e morte sobre todos, guiaria o homem de forma sustentável com a natureza, sem destruí-la. Como Ra's considera fundamental que a população seja de um tamanho controlável, e que isso deve ser atingido imediatamente, antes que a super população acabe com os recursos naturais do planeta, ele já tentou mais de uma vez aniquilar a maior parte da população humana viva, para reduzi-la a um tamanho aceitável, por meio de ameaças biológicas e disseminação de pragas criadas em laboratório, poupando somente aqueles que considera dignos de seu novo mundo. Mas seus planos eram sempre frustrados por Batman.

O próprio Batman, por muito tempo, foi considerado por Al Ghul uma dessas pessoas dignas de sobreviver, em grande parte por suas incríveis habilidades, mas também pelo amor que Talia, filha do personagem, tinha pelo "Detetive", modo como Ra's se referia ao cavaleiro das trevas. Ra´s propôs inúmeras vezes que Batman casasse com Talia e lhe desse um herdeiro. Na clássica história "O filho do demônio", Ras obteve sucesso em conseguir o auxílio de Batman para derrotar o assassino que havia tirado a vida de sua esposa. Nessa história, Batman se casa com Tália, que engravida do herói. Depois de ver seu amado quase perder a vida em sua defesa, Tália percebe que não poderia manter Batman ao seu lado. Alegando que havia sofrido um aborto natural, dissolve o casamento de ambos. Quando deu à luz ao bebê, Tália a entrega a um orfanato, sem nenhuma identificação que o ligasse aos pais, exceto um colar que antes pertencera à sua mãe. O bebê era Damian Wayne, que renegou ao avô e seus ideais e se entregou à causa do pai vigilante, tornando-se o mais jovem Robin de todos já existentes, estreando com apenas oito anos de idade.

Em outra história, intitulada "A morte e as donzelas", foi revelado que Ras teve uma outra filha, Nyssa. Ela se tornou seu braço direito, acompanhando-o em suas empreitadas. A admiração de Ra's pela filha foi tão grande que ele inclusive permitiu que ela desfrutasse do Poço de Lázaro aumentando sua expectativa de vida de maneira substancial. Mas assim como aconteceria com Tália no futuro, Nyssa eventualmente ficou insatisfeita com os planos e métodos de Ras e separou-se dele. Ras concordou com isso, desde que os filhos de Nyssa se tornassem seus herdeiros, mas ela recusou-se a isso e Ras a deserdou. Durante a Segunda Guerra Mundial, Nyssa e sua família foram enviadas para campos de concentração. Amargurada e aterrorizada pelo que presenciou e pelo fato de Ra's ter deixado-a desamparada para morrer nas mãos dos nazistas, ela traçou um plano de vingança. Usaria seus recursos para sequestrar e fazer uma lavagem cerebral em Tália, com o intuito de usá-la para assassinar Ra's. Além disso, iria matar o Super-Homem usando balas de kriptonita roubadas da Batcaverna. Batman conseguiu impedir o assassinato do Super-Homem, mas não o de Ra's. Um pouco mais tarde, seria revelado que tudo isso não passava de um ardil do próprio Ra's, que queria garantir seu legado, mostrando a suas filhas a validade de suas ideias e métodos. Apesar de morto, Ras conseguiu esse objetivo, já que hoje Tália e Nyssa resolveram comandar a "Liga das Sombras" e pretendem continuar o legado do pai. Tália, inclusive, renegou o amor que sentia por Bruce Wayne e hoje considera o Batman o seu maior inimigo.

 Zsasz (Primeira aparição: Shadow of the Bat 1, 1992)


Zsasz é um vilão bem secundário, mas como ele aparece rapidamente em algumas cenas de Batman Begins (veja) é bom deixar registrado aqui a sua maluquice. Zsasz é um serial killer que tem o estranho hábito de contar seu número de vítimas fazendo cortes em sua pele. Cada cicatriz representa uma das pessoas que matou. Mas antes de se tornar o que se tornou, Victor Zsasz era o chefe da sua própria empresa internacional e tinha acumulado uma grande fortuna pessoal, além da riqueza de sua família. Na idade de 25 anos seus pais morreram em um acidente de barco, e Zsasz ficou em uma profunda depressão. Virou-se para o jogo, perdendo dinheiro em competições ao redor do mundo. Uma noite, ele acabou indo parar num casino de Gotham City, onde ele jogou tudo o que possuía e acabou perdendo tudo para o Pinguim. Depois ele viu que sua vida era vazia e não havia nenhum motivo para continuar vivo. Enquanto ele estava tentando se suicidar saltando de uma ponte de Gotham, um homem sem-teto tentou assaltá-lo com uma faca depois que ele se recusou a lhe dar dinheiro. Instintivamente Zsasz segurou a faca, e viu nos olhos do homem que a vida é sem sentido e que nada importa, nem ninguém. Ele então esfaqueou o homem até a morte como um "presente" para salvar sua vida. A partir de então, dedicou-se a "libertar" os outros de sua existência inútil (Zsasz muitas vezes refere-se às suas vítimas como "zumbis"). Ele foi diagnosticado como louco e é regularmente encarcerado em Arkham Asylum por Batman, conseguindo fugir de vez em quando para cometer mais alguns homicídios.


Fonte : Wikipédia e Omelete