segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Os 16 melhores filmes baseados em livros de Stephen King

Para quem ainda não conhece, Stephen King é um dos maiores escritores da nossa geração. Considerado por muitos um mestre do terror, ele se consagrou escrevendo livros com histórias assustadoras que depois inspiraram grandes filmes de terror ou suspense como "O Iluminado", "Carrie, a estranha", "Louca Obsessão" e "Cemitério Maldito". Embora seu talento se destaque na literatura de terror/horror, ele escreveu também algumas obras de drama que também fizeram muito sucesso ao serem adaptadas para as telonas, como nos filmes "Conta Comigo", "Um Sonho de Liberdade" e "À Espera de um Milagre".

King está em alta atualmente. Nos últimos meses, várias adaptações de seus contos e livros foram anunciadas. "O Braço do Mar", "A Dança da Morte", "Inverno no Clube - O Método Respiratório", "A Good Marriage", "Ten O'Clock People", "Vovó" e "Celular"  estarão no cinema em breve. Também uma refilmagem de "It" será feita e é muito bem vinda uma vez que a primeira adaptação deixou a desejar, enquanto que um segundo remake de "Carrie" também está sendo realizado, o que é completamente desnecessário visto que a primeira adaptação pelas mãos de Brian DePalma já é perfeita e incomparável.

Stephen King jovem

É fato que o cinema sempre esteve de olho nas incríveis histórias de Stephen King e são muitos os títulos do autor que acabaram se tornando filmes - cerca de 50 livros (ou contos) de King já foram levados à telona. Muitos, a maioria, pra falar a verdade, são decepcionantes, como "Sonâmbulos", "Comboio do Terror" e "A Hora do Lobisomem", por exemplo, mas alguns acabaram virando grandes filmes e hoje em dia são verdadeiros clássicos do cinema, e é desses que falaremos neste post que vos indicará as melhores adaptações cinematográficas dos livros deste grande escritor que contribiu e muito para a sétima arte. Confira:


1. A Colheita Maldita (Fritz Kiersch, 1984)


Um jovem casal (Linda Hamilton e Peter Norton) presencia um assassinato horrendo numa estrada e parte para Gatlin, a cidade mais próxima, para avisar as autoridades. O local, contudo, parece abandonado e logo, eles são aprisionados por um grupo de crianças comandadas por um menino sinistro chamado Isaac Chroner (John Franklin). O garoto é um pregador que misteriosamente controla todas as crianças da região e conseguiu convencê-las a assassinarem todos os adultos para que o sangue seja utilizado para adubar uma colheita sagrada. E agora só resta ao casal lutar para fugir do mesmo destino. 

2. Christine - O Carro Assassino (John Carpenter, 1983)



"Christine" não é um automóvel comum. É um carro que inclui entre os seus equipamentos uma força maligna destrutiva que mais parece ser movida a sangue ao invés de gasolina. Porém, com sua beleza reluzente, Christine seduz seu dono e não poupará crueldade para eliminar quem se coloca entre eles. Acho sensacional como as pessoas se engasgam ou ficam presas misteriosamente quando estão dentro do carro ou como ele se reconstrói sozinho e os seus faróis se acendem parecendo mais um par de olhos malignos. Ótimo filme do mestre do terror John Carpenter, o mesmo criador da franquia Halloween.


3. Carrie, a Estranha (Bryan DePalma, 1976)


Vários personagens dos livros de Stephen King são denominados de iluminados, condição melhor explicada em sua saga A Torre Negra , por justamente possuírem poderes sobrenaturais. Carrie White ( é uma dessas pessoas. Ela não faz amigos em virtude de morar em quase total isolamento com sua mãe, uma fanática religiosa, que a reprime. Sue Snell, uma das alunas que zombavam dela, fica arrependida e pede a seu namorado que convide Carrie para um baile no colégio. Mas Chris Hargenson, uma aluna que foi proibida de ir à festa, prepara uma armadilha para ridicularizar Carrie em público. Mas ninguém imagina os poderes paranormais que Carrie possui e muito menos a sua capacidade vingança quando está repleta de ódio. Baseado no primeiro livro de King, esta é também a primeira e uma das melhores e mais conhecidas adaptações para o cinema de uma obra desse escritor. 

4. O Iluminado (Stanley Kubrick, 1980)


Durante o inverno, um homem chamado Jack Torrance (Jack Nicholson, em uma das melhores atuações da história) é contratado para ficar como vigia em um hotel e vai para lá com a mulher e seu filho. Porém, depois de entrar  no quarto 237, onde mórbidos assassinatos aconteceram, ele começa a ter visões e, enlouquecido, passa a querer matar sua esposa e filho. O Iluminado não é só um dos melhores filmes baseados em livros de Stephen King, é também um dos maiores clássicos do terror e da história do cinema. Mas, inexplicavelmente, King declarou não ter gostado do longa (talvez porque o final foi diferente do livro), ainda que o filme seja adorado por qualquer cinéfilo, inclusive eu, que tenho esse filme como um dos meus favoritos.

5. Louca Obsessão (Rob Reiner, 1990)


Paul Sheldon (James Caan) é um escritor famoso que sofre um acidente de carro, sendo socorrido coincidentemente por uma ex-enfermeira (Kathy Bates) que é sua grande fã. Ela o leva para sua casa e passa a cuidá-lo. Mas, ao ler os rascunhos do novo livro do escritor, percebe que sua personagem predileta será morta no fim da história, fazendo com que sua personalidade doentia se revele. Sem poder se locomover, Sheldon se vê à mercê das loucuras de sua "fã n° 1". O livro nasceu graças ao medo de Stephen King por seus mais fanáticos fãs. Por diversos momentos ele recebeu ameaças de morte de alguns deles caso não concluísse sua saga literária denominada A Torre Negra, que conta com sete livros e hoje está finalizada. 

6. Cemitério Maldito (Mary Lambert, 1989)


Recentemente os Creeds se mudaram para uma nova casa nos arredores de Chicago. A casa é perfeita, exceto por duas coisas: os reboques, que vivem fazendo barulho na estrada, e o misterioso cemitério no bosque atrás da casa. Os vizinhos dos Creeds estão relutantes em falar sobre o cemitério e eles tem um bom motivo para tal comportamento. Gradativamente o casal toma conhecimento da verdade e ficam chocados ao saberem do perigo que seus filhos correm. Quando o gato da família morre atropelado, eles o enterram naquele cemitério e descobrem que o local tem o poder de ressuscitar o que for deixado naquele terreno, mas as conseqüências são inimagináveis. O filme inspirou a música Pet Sematary  da banda de punk Ramones. Outra curiosidade é que King faz uma breve participação no filme interpretando o padre na cena do funeral da personagem de Missy Dandridge.

7. A Hora da Zona Morta (David Cronenberg, 1983)


Johnny Smith (Christopher Walken) é um professor de literatura que estava prestes a se casar quando sofre um acidente de carro e fica cinco anos em coma. Ao recobrar a consciência, descobre que perdeu sua carreira e Sarah Bracknell (Brooke Adams), sua noiva, mas em compensação ganhou poderes paranormais que o permitem prever o futuro. Assim, ele tem o poder de alterar o curso dos acontecimentos e este é o seu dilema: interferir ou sofrer sozinho, sabendo das tragédias que estão por acontecer.

8. O Aprendiz (Bryan Singer, 1998)


Baseado no conto "Apt Pupil" (do livro "As Quatro Estações") de Stephen King, este filme conta a história de um garoto (Brad Renfro) que descobre que um de seus vizinhos (Ian - Gandalf e Magneto - McKellen, em grande atuação) é um ex-criminoso nazista, que vive com outra identidade em sua cidade. Para não entregá-lo às autoridades, ele exige que o vizinho lhe conte as mais terríveis histórias sobre a II Guerra Mundial. A partir de então um tenso jogo psicológico surge entre os dois, ameaçando a sanidade do jovem. Brad se mostrava um ator prodígio, mas morreu de overdose aos 25 anos em 2008.

9. Um Sonho de Liberdade (Frank Darabont, 1995)



Em 1946, Andy Dufresne (Tim Robbins), um jovem e bem sucedido banqueiro, tem a sua vida radicalmente modificada ao ser condenado por um crime que nunca cometeu, o homicídio de sua esposa e do amante dela. Ele é mandado para uma prisão que é o pesadelo de qualquer detento, a Penitenciária Estadual de Shawshank. Lá Andy faz amizade com Ellis Boyd Redding (Morgan Freeman), um prisioneiro que cumpre pena há 20 anos e controla o mercado negro da instituição. Adaptado do conto "Rita Hayworth e The Shawshank Redemption" (que está no livro "As Quatro Estações"), "Um Sonho de Liberdade" é um excelente drama, indicado a 7 Oscars e que sempre figura entre os melhores filmes de todos os tempos. 

10. À Espera de um Milagre (Frank Darabont, 1999)


Paul (Tom Hanks), é chefe de guarda de um corredor da morte durante o ano de 1935. Certo dia, chega em suas celas um prisioneiro imenso chamado John Coffey (Michael Duncan), acusado de estuprar e matar duas jovens meninas. Um relacionamento entre os dois surge durante o conviver, revelando que Coffey parece ser muito mais do que as impressões sugerem. Filme que dispensa comentários!

11. Conta Comigo (Rob Reiner, 1986)


Em uma pequena cidade florestal do Oregon, quatro amigos - o sensível Gordie (Wil Wheaton), o durão Chris (River Phoenix), o destemido Teddy (Corey Feldman) e o acovardado Vern (Jerry OConnell) - estão à procura do corpo de um adolescente desaparecido. Querendo ser heróis diante dos amigos e aos olhos da cidade, eles partem numa inesquecível viagem de dois dias que se transforma em uma odisséia de autodescoberta. Eles fumam escondidos, contam casos assustadores e descobrem que precisam ficar unidos e encontrar forças que nem imaginavam possuir. Conta Comigo é um filme raro e especial sobre a amizade e as indeléveis experiências do crescimento. Cheio de humor e suspense, o filme é baseado no romance "The Body", de Stephen King.

12. O Nevoeiro (Frank Darabont, 2007)




Depois que uma violenta tempestade devasta a cidade de Maine, David Drayton - um artista local - e seu filho de 8 anos correm para o mercado, antes que os suprimentos se esgotem. Porém, um estranho nevoeiro toma conta da cidade, deixando David e um grupo de pessoas presas no mercado - entre elas um cético forasteiro e uma fanática religiosa. David logo descobre que o nevoeiro esconde algo sobrenatural e que sair do mercado pode ser fatal. Mas conforme o grupo tenta desvendar o mistério, o caos se instala e fica evidente que as pessoas dentro do mercado podem tornar-se tão ameaçadoras quanto as criaturas do lado de fora. Terceira e ótima adaptação de obra do King pelas mãos do diretor Frank Darabont, que pelo visto deve ser um grande admirador do escritor. Só achei que o filme ficaria melhor se, sabe aquela cena em que eles amarram uma corda num dos personagens que sai do mercado rumo à névoa e quando puxam de volta resta só a parte de baixo dele? Pois então, ficaria bem melhor se essa cena fosse mostrada antes dos personagens (e nós também) saberem o que havia lá fora, imagina o impacto que iria causar, tornaria o filme ainda mais foda!

13. Janela Secreta (David Coepp, 2004)


Johnny Depp vive uma espécie de alter ego de Stephen King. Ele interpreta um autor acusado de plágio por um estranho homem, que o caça clamando por vingança. Apesar de ser um autor extremamente ativo, com obras sendo lançadas em curtos períodos, King já passou pela situação de ser acusado de plágio.


14. Cujo (Lewis Teague, 1983)


O cachorro é o animal de estimação de um garoto chamado Brett Camber, que vive num sítio nas proximidades de uma pequena cidade do interior no norte dos Estados Unidos, em Castle Rock, no Estado do Maine. O garoto mora com sua mãe, Charity, uma mulher infeliz no casamento com Joe, um mecânico de automóveis egoísta que só está preocupado com seus interesses pessoais, deixando a família para segundo plano. Ao perseguir um coelho pelo mato, Cujo acaba entrando com a cabeça numa caverna infestada de morcegos doentes, onde um deles morde seu nariz e lhe transmite a terrível raiva. Aos poucos, o anteriormente dócil cachorro vai se transformando num monstro assassino, num aspecto extremamente ameaçador.

15. Chamas da Vingança (Mark L. Lester, 1984)



"Chamas da Vingança" conta a história de Andrew McGee (David Keith), um homem que, quando jovem, participou de uma experiência científica na faculdade e, depois que uma substância misteriosa foi injetada em sua corrente sangüinea. Sua filha Charlie (Drew Barrymore) acaba herdando a capacidade de provocar incêndios com a ajuda da mente. Juntos, pai e filha devem fugir de uma agência governamental que descobre os poderes adquiridos por Charlie.

16. It - Uma Obra Prima do Medo (Tommy Lee Wallace, 1990)


Derry, no Maine, é uma pacata cidade que foi aterrorizada 30 anos atrás por um ser conhecido como "A Coisa". Suas vítimas eram crianças, sendo que se apresentava na maioria das vezes como o palhaço Pennywise. Com esta forma ele reaparece, 30 anos depois. Quem sente sua presença é Michael Hanlon, um bibliotecário e único de um grupo de sete amigos que continuou morando em Derry. Assim ele liga para Richard Tozier, Eddie Kaspbrak, Stanley Uris, Beverly Marsh Rogan, Ben Hanscom e William Denbrough, pois todos os sete quando jovens, viram "A Coisa" e juraram combatê-la, caso surgisse outra vez. Porém este juramento pode custar suas vidas. Só o final que deixou a desejar, mas este filme é um clássico!



--------------------------
Pessoal, meu convênio começou e vocês sabem o que isso significa, né? Vou ter que estudar muito nesta minha fase pré-vestibular, por isso, infelizmente terei de deixar o MO um pouco de lado. Porém, sempre que possível, farei de tudo para manter o blog atualizado ok? Até mais :)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Jasão e os Argonautas

Pois é, pessoal, o mundo nem acabou, que surpresa hein?? Mas 2012, por outro lado, está acabando sim! Esse foi um ano bem agitado para mim, com momentos inesquecíveis, bons e ruins...
Neste que é o último post do ano, eu poderia muito bem falar de algo relacionado ao natal pra gente entrar no clima "mágico e maravilhoso" desta época, porém, se teve um ano que eu não consegui entrar no clima natalino, foi este. Então decidi encerrar o ano com 2 incríveis histórias, coisa que eu amo. Uma delas é a fantástica lenda de Jasão, da mitologia grega - só pra não perder o hábito - e a segunda, no outro post, é sobre a assustadora e familiar Bruxa de Blair. Mas antes de irmos para a nossa deliciosa leitura, claro, quero desejar a vocês um feliz natal e um feliz ano novo, e que 2013 seja um dos melhores anos de nossas vidas!!! Até ano que vem, galera :)


~ ~ ~

O rei Atamante tinha por rainha a deusa Nefele, com quem teve dois filhos: Frixo e Hele. Depois de um tempo, Atamante apaixonou-se por Ino, e com ela teve mais dois filhos: Learco e Melicertes. Ino não suportava os filhos de Nefele e planejou livrar-se das crianças. Decidiu espalhar doenças e secar as sementes dos cereais prejudicando as futuras colheitas. Prevendo que Atamante consultaria o oráculo para saber as causas das desgraças, subornou os sacerdotes, para que convencessem o rei de que a única forma de aplacar a ira dos deuses era sacrificando os filhos que teve com Nefele.

Atamante decide a sacrificar seus filhos

Embora com grande sofrimento, Atamante, pelo bem do povo, obedeceu as ordens do oráculo. Nefele, indignada, a tudo assistia. Para proteger os seus filhos, Nefele encontrou-se com eles às escondidas, avisando-os que no dia do sacrifício ela iria enviar um carneiro com lã de ouro, que desceria dos céus e aterrizaria diante deles. Orientou-os a montar no carneiro. O único cuidado que deveriam ter era de não olhar para baixo durante o vôo se não iriam cair. No dia do sacrifício, o carneiro surgiu e levou as crianças. Hele, no entanto, apesar das recomendações, não resistiu à tentação e olhou, caindo ao mar no local que ficou depois conhecido como Helesponto (hoje Dardanelos). Frixo chegou salvo à Cólquida, na corte do rei Eestes. Eestes recebeu Frixo de maneira gentil, e, quando o menino sacrificou o carneiro a Zeus, entregou o precioso velocino ao rei. Eestes dedicou o velocino a Ares e o depositou num bosque sagrado ao deus da guerra, sendo guardado por uma temível serpente. Frixo, depois de alguns anos, casou-se com a filha do rei do local.


Atamante, pela ira dos deuses, enlouqueceu. Acometido de súbita fúria, ele lançou seu filho Learco pela janela do palácio. Tomada de pavor, Ino se precipitou de um rochedo com o outro filho Melicerte.

A fama do Velocino de ouro espalhou-se por todo o mundo antigo, pois se dizia que ele tinha o dom de trazer prosperidade, riqueza e auto-realização espiritual a quem o possuísse. Muitos eram aqueles que cobiçavam o tesouro, porém o único homem valente e puro o suficiente para realizar essa façanha nascia naquele momento.

Em Iolco, Esão, ao assumir o trono, se casou com Polimede e teve com ela um filho de nome Jasão. Pélias, meio irmão de Esão, usurpou o trono e matou Esão e sua mulher, lançando Jasão, a criança herdeira do trono, ao mar. Jasão ainda bebê foi recolhido pelos deuses e levado ao Olimpo para ser educado pelo centauro Quíron junto a outros heróis.

Jasão e Quíron

Ao completar vinte anos, Jasão decidiu reivindicar o poder que por direito lhe pertencia e decidiu retornar à Iolco. O rei ao vê-lo, embora não o reconhecesse, suspeitou do estrangeiro ao lembrar-se do oráculo que havia predito sobre a ameaça que sofreria vinda de um homem de apenas uma sandália. E Jasão assim se apresentava, visto que havia perdido uma de sua sandálias durante a viagem, ao atravessar um rio de forte correnteza.

Apavorado com a previsão do oráculo e já ciente das intenções do sobrinho, resolveu eliminar o inimigo. Para tanto, incumbiu-o de ir até Cólquida capturar o Velocino de Ouro. Devido ao alto grau de periculosidade, esse empreendimento praticamente significava uma condenação à morte, mas Jasão, herói por excelência, não repudiou. Um comunicado foi enviado por toda a Grécia a fim de convidar jovens fortes e corajosos que estivessem dispostos a participar da difícil empreitada. Atenderam ao chamado mais de cinquenta heróis, entre eles, Hércules, Cástor e Pólux, Orfeu e muitos outros, numa grandiosa embarcação, denominada Argos, em homenagem ao seu criador, o filho de Frixo, Argos. Seus navegantes ficaram conhecidos como os argonautas.


Orfeu, que tinha o dom da música, ficou incubido de cadenciar o trabalho dos remadores. Tífis, discípulo de Atena na arte da navegação foi designado piloto. Jasão e seus amigos enfrentaram muitos obstáculos na viagem. Castor e Pólux, gêmeos filhos de Zeus, atraíram a proteção do pai durante a tempestade que a nau foi obrigada a enfrentar.  Orfeu sobrepujava com sua música, o canto das sereias que tentavam seduzir os navegantes para afogá-los.

Os Argonautas aportaram na ilha de Lemnos para descansar e logo descobriram que o local era habitado somente por mulheres, governadas, na época, pela rainha Hipsípile. A jovem rainha contou a Jasão que Lemnos havia sido invadida, e todos os homens assassinados, convidando os Argonautas a tomarem os lugares dos seus falecidos esposos. Mas o que Jasão não sabia era que ele e seus amigos seriam assassinados como aqueles que os haviam antecedido, pois essas mulheres são Amazonas, guerreiras que odeiam os homens. Antes mesmo de perceberem o ardil, os Argonautas decidem ir embora e, enquanto velejam pelo Helesponto, ouvem: "fuja da costa amazônica, ou sofrerão as consequências!"

Quando aportaram com a sua nau na ilha de Misia para descansar e pegar um novo mastro para seu navio, aconteceu que um dos argonautas, Hilas, foi atraido pelas ninfas da floresta e levado ao fundo das águas. Hércules ficou irreparavelmente desconsolado pois Hilas era seu jovem amante e abandonou a expedição para tentar encontrá-lo.

Hilas, o jovem amante de Hércules
Quando chegaram na terra dos bebrícios, o rei Âmico, gigante filho de Poseidon, desafiou os jovens em uma luta, estranho hábito que tinha com a chegada de todo visitante. Pólux representou os companheiros, derrotou o rei e o fez prometer que jamais importunaria os estrangeiros que chegassem ao local.

Depois, desembarcaram na Trácia, onde reinava o infortunado rei Fineu, filho de Agenor. Sobre Fineu pesava uma terrível maldição. Apolo havia dado a ele o dom da profecia e assim Fineu revelou a todos os segredos dos deuses, e ainda de forma direta e simples, e não por forma de enigmas como deviam fazer os oráculos e advinhos. Então Zeus, para puni-lo, lhe enviou as harpias - aves gigantes com rosto de mulher - para que tirassem a sua visão e mesmo depois de cego as harpias continuaram a atormentá-lo, roubando toda comida que lhe era dada, fazendo com que o rei passasse muita fome. Fineu era um homem que sofria muito, pois recebia comida como oferenda por suas visões, mas quando tentava comer era impedido pelas harpias.


O rei já estava prestes a morrer de fome quando os Argonautas chegaram. Ele prometeu revelar como passar por entre as Simplégades, duas enormes rochas flutuantes que se fechavam violentamente, esmagando qualquer coisa que por entre elas passasse e que abria caminho para a Cólquida. Os argonautas Zetes e Calais, filhos de Orítia, que tinham asas nos pés e na cabeça, conseguiram expulsar as harpias para longe, possibilitando que o magérrimo Fineu se deliciasse em um banquete. Em agradecimento, Fineu revelou que para passar pelas simplégades, eles deviam soltar um pombo para voar entre elas, as rochas iam se juntar e quando elas se afastassem novamente, eles, remando com toda a força, conseguiriam passar. Eles assim fizeram e obtiveram sucesso, apesar de parte da popa ter sido destruída.


Enfim os argonautas chegaram à Cólquida, porém, suas dificuldades não se esgotaram, pois o rei Eetes, tão logo tomou conhecimento das intenções do chefe dos argonautas, incumbiu-o de nova bateria de árduas tarefas. Como condição para lhe entregar o Velo de Ouro, deveria domar dois touros selvagens de pesadas patas de bronze e que expeliam fogo pelas narinas, que lhe tinham sido oferecidos por Hefesto. Feito isso, o próximo passo seria atrelar o arado aos dois animais para arar a terra e semeá-la com dentes de uma serpente que fora morta por Cadmo em tempos passado.

Contudo, nem bem haviam chegado à Cólquida, o chefe dos argonautas já tinha conquistado o coração da filha do rei Eetes e da rainha Hécate, a princesa Medéia, famosa por suas habilidades na arte da feitiçaria que se colocou à sua disposição para ajudá-lo através de seus poderes mágicos. Foi Hera que pediu a Afrodite para que fizesse Medéia se apaixonar por Jasão e assim ajudá-lo a cumprir as tarefas, pois Hera, que é a deusa da família, ficou indignada com os crimes de Pélias contra seus parentes e queria que Jasão conseguisse puni-lo.


Para domar os touros, Medeia entregou a Jasão uma erva que o tornou invulnerável ao fogo e ao ferro. Uma vez preparada a terra e plantados os dentes da serpente, brotaram terríveis guerreiros que avançavam em direção a Jasão. Contudo, Medeia, conhecedora da história de Cadmo, dá-lhe a simples solução para o problema: basta lançar uma pedra, de longe, para o meio desse exército erguido da terra. Os soldados entrariam em discussão sobre quem atirara a pedra e matariam uns aos outros.

Somente quando muitos já haviam morrido e os poucos que restaram se encontravam extenuados pela batalha é que Jasão se apresentou para o combate exterminando os restantes. Surpreso com a vitória do forasteiro, o qual ele achou que jamais conseguiria realizar as tarefas, Eetes descumpriu sua palavra recusando-se a entregar o Velocino de Ouro, e idealizou um plano para matar Jasão e incendiar Argo. Mais uma vez o herói foi salvo por Medéia que tomando conhecimento das intenções do pai, avisou Jasão do perigo que corria. Levou o herói às escondidas onde ficava guardado o precioso Velocino e adormeceu a enorme serpente que o guardava com seus mágicos cantos e, juntamente com Jasão, roubou o Velocino de Ouro. Em seguida, embarcou com os argonautas levando o Velo e Apsirto, filho do rei, tomado como refém.

A morte de Apsirto

Sentindo-se duplamente enganado, Eetes partiu pelos mares em busca de seus filhos. Medeia, sabendo da atitude do pai, matou e esquartejou impiedosamente o irmão Apsirto, lançando seus restos mortais ao mar a fim de atrasar a perseguição, com efeito. Ao ver os restos do filho boiando, Eetes desesperado, se deteve a recolhê-los pois queria dar um funeral digno ao seu filho. Argo tomou distância mas acabou por se desviar da rota porque Zeus, revoltado com a natureza do crime praticado por Medeia, enviou uma borrasca que atingiu a embarcação. Era necessário purificar-se de tão hediondo crime ou não conseguiriam chegar vivos ao seu destino e por isso aportaram no reino de Circe, maga que através de suas magias e encantamentos os purificou, aplacando a ira dos deuses.
 
Pélias, ao ver chegar o chefe dos argonautas trazendo o Velocino de Ouro, recusou-se a honrar sua palavra devolvendo-lhe o trono. Enraivecido, Jasão clamava por vingança, porque além de recusar-lhe o poder sobre Iolco, o rei, aproveitando-se de sua ausência, induziu seus pais ao suicídio, e em seguida assassinou seu irmão Promaco. Mais uma vez Medeia veio em seu auxílio para vingá-lo. Fazendo-se amiga das filhas do rei, diz-lhes que é capaz de rejuvenescer quem ela quiser. Para o provar, mandou esquartejar um carneiro velho e colocou-o dentro de um caldeirão com uma poção fervente. Tendo feito um feitiço, ela retirou o animal, inteiro e de bastante boa saúde. As meninas, excitadas, correram a esquartejar o seu pai Pélias e lançar os seus pedaços dentro do caldeirão. Como é óbvio, ele não voltou a sair de lá com vida. Depois deste incidente macabro, Medeia fugiu com o seu amado para Corinto, onde o triste fim de Jasão se aproximava.

Em Corinto, a felicidade de Medeia foi de pouca duração. Já com filhos de Jasão, foi alvo da intriga do rei Creonte que influenciou Jasão a deixá-la, de modo a casá-lo com a sua filha, Creúsa (ou Glauce). Tendo convencido Jasão, tratou de banir Medeia de Corinto. Esta, contudo, antes de abandonar a cidade, ainda conseguiu vingar-se, novamente aliando astúcia com magia. Fez chegar às mãos de Creúsa um vestido e jóias - um presente literalmente envenenado, já que cada acessório tinha sido embebido numa poção secreta. Assim que a sua rival se vestiu, sentiu o seu corpo invadido de um fogo misterioso que logo se espalhou para o seu pai, que a tentou socorrer, bem como para todo o palácio - episódio este que tem semelhanças com a morte de Hércules.

Medeia mata seus filhos para se vingar do marido infiel

Alguns narradores contam que Medeia, em fuga, não teve possibilidade de levar consigo os filhos que, perante a negligência de Jasão, foram apedrejados até à morte pela família de Creonte, como vingança. Contudo, a versão mais conhecida é ainda mais sombria e deve-se a Eurípides, na sua tragédia é a própria Medeia quem mata os filhos antes de fugir para Atenas, não num acesso de loucura, mas num ato de fria vingança em relação ao marido infiel. Eurípides foi, na altura, acusado de ceder perante um elevado suborno de cidadãos coríntios que preferiam uma versão onde não fosse o povo daquela cidade a cometer o infanticídio.

Medeia fugiu para Atenas, onde se casa com o Rei Egeu. Eles tiveram um filho, Medo. Quando Teseu, o outro filho de Egeu, volta, Medeia tenta envenená-lo, mas essa já é outra história...

Existem muitas versões para o final de Jasão. Na primeira delas, o herói, desesperado devido a morte de Creusa e seus filhos, se suicida. Em outra, quando descansava sob a sombra de Argos, morreu esmagado pela popa do próprio navio que desaba sobre ele.

A Lenda da Bruxa de Blair



Todo mundo já deve ter visto ou pelo menos ouvido falar do filme A Bruxa de Blair, que é um longa de terror que fez um sucesso gigantesco no fim dos anos 90. O filme contava a história de 3 jovens que foram para a floresta de Burkittsville, Maryland, Estados Unidos, para gravar um documentário sobre uma lenda local de uma bruxa.

Durante o filme a lenda que eles investigam se mostra real e a bruxa os deixa perdidos na floresta, fazendo com que todos corram. Contudo o que deixou o longa mais famoso foi que ele era gravado como se fosse tudo real, mas não era. Apesar disso, a lenda da bruxa existe, e ela tem seu fundo de verdade...


A história dessa cidade, chamada de Blair, é mais antiga do que se possa imaginar, remontando ao ano de 1771, que foi a data de sua fundação, quando ela tinha não mais do que duas ruas e uma dúzia de casas. Durante 14 anos a cidade prosperou normalmente, até que no fim de 1785, uma mulher que vivia no local, Elly Kedward, foi acusada de bruxaria. Algumas crianças disseram que ela as levava para sua casa e tirava sangue dos pequenos.

No meio do rígido inverno daquele ano,  a suposta bruxa foi expulsa do vilarejo, sendo abandonada na floresta a sua própria sorte, o que certamente deve ter causado sua morte por hipotermia.


Durante um ano, a cidade de Blair viveu em paz, e o problema parecia ter sido definitivamente resolvido. Mas depois de um ano,  as coisas começaram a ficar feias na cidade. Durante o rigoroso inverno de 1786, todas as crianças e adultos locais que haviam acusado Elly de bruxa simplesmente desapareceram sem explicação alguma. Todos que sobraram juraram jamais citar o nome da bruxa de novo.


Em 1825, logo depois da cidade deixar de se chamar Blair e se tornar Burkittsville, as coisas começaram a ficar realmente assustadoras, pois a morte de uma criança fez com que todos temessem a volta da bruxa, pois no mês de agosto daquele ano 11 pessoas assistiram uma menina de apenas dez anos morrer afogada no riacho Tappy East. Todos que assistiram o terrível acontecimento dizem que viram claramente uma mão pálida brotar da água e puxar a menina para morte. O corpo dela jamais foi encontrado.

Em março de 1886, Robin Weaver, 8 anos, desaparece. Várias equipes de resgate o procuraram.
Mais de um dia se passou e o grupo de busca não retornou, muito menos o menino sumido. Pensando que talvez os homens estivessem perdidos, talvez por causa da noite ou quem sabe a floresta poderia ter os enganado. Por esse motivo uma segunda equipe partiu em busca da primeira e ainda acreditando que poderiam achar o pequeno garoto.

Depois de algumas horas de busca os primeiros homens foram encontrados, mas aquela altura eles eram apenas pedaços, pois todos tinham sido estripados e suas vísceras estavam espalhadas pelo chão, com as mãos e pés amarrados.

As buscas foram suspensas, pois não havia ninguém com coragem o bastante para entrar na maldita floresta de novo, pois todos temiam o mesmo fim dos primeiros homens que lá entraram. Por isso Robin Weaver jamais foi visto nesse mundo novamente e seus pais não tiveram um corpo para enterrar.



Anos se passaram e a lenda da Bruxa ainda estava viva na mente de todos. Contudo em 1925, doze anos depois de ter ido morar na cidade de Burkittsville, Rustin Parr resolveu construir uma casa no meio da mata, em um lugar que ficava a mais de quatro horas de caminhada da cidade.
Rustin Parr vivia em meio à floresta, totalmente isolado. Algumas vezes ele era visto vagando pelo mato com um cachimbo no canto da boca. A quem diga que ele conversava com as árvores ou mesmo com um ser que ninguém via. Alguns diziam que Rustin era louco, outro apenas achavam que ele amava a natureza mais do que tudo.

Enquanto isso, começando por Emily Hollands, sete crianças são raptadas da área que cerca Burkittsville, em novembro de 1940 a maio de 1941.


No dia 23 de maio de 1941, Rustin Parr, o maluco da floresta, entra em um comércio do local e diz ter terminado seu trabalho. As pessoas comunicam sua estranha fala à polícia. Após procurar a casa dele na floresta, a polícia encontra os corpos das sete crianças no porão. Foram assassinadas seguindo um ritual no qual se retira as vísceras do corpo. Ele disse que cometeu os assassinatos por causa de um fantasma de uma velha que rondava a floresta perto de sua casa. Rustin foi condenado à forca.

Rustin Parr

Por sorte Kyle Brody foi uma das crianças que conseguiu, em um momento de descuido, fugir da casa e chegar até a cidade. E seu testemunho foi a chave para descoberta do criminoso que estava sequestrando as crianças. Os corpos dos sete mortos foram encontrados embaixo da casa de Rustin, todos em decomposição avançada.

Depois disso o estranho homem que vivia no meio da floresta foi a julgamento e recebeu a pena de morte por enforcamento. No dia 22 de novembro de 1941, Rustin Parr foi enforcado. Todos acharam que tudo estava acabado e que desta vez a maldição da Bruxa havia terminado, porém ainda faltava algo e o único sobrevivente do massacre das crianças tinha um futuro sombrio pela frente.


No ano de 1957, Kyle Brody, o garoto que viu todos os outros serem mortos, foi internado em um hospício depois de ter sido preso varias vezes por vagabundagem. E durante anos foi sendo jogado de um manicômio para outro, sempre causando problemas com ataques de raiva e delírios.

Em 1961, depois de receber a refeição do dia Kyle pegou a colher de madeira que recebeu para comer e começou a raspa-la no chão até que ficou afiada. Com a arma pronta ela a enfiou bem fundo em seu próprio pulso, rasgando sua carne e veias, fazendo o sangue jorrar para todos os lados enquanto a vida ia deixando seu corpo…


Assim morreu, sangrando até a morte, o último amaldiçoado de Burkittsville e o trabalho da Bruxa estava completo, pois todos os envolvidos com aqueles ritos satânicos tiveram uma morte macabra.
Hoje em dia algumas pessoas ainda visitam a floresta de Blair, em busca da Bruxa, mas ela jamais se manifestou de novo, mas como se sabe ela costuma sumir de tempos em tempos, até sua historia sumir da memória, então ela volta com um golpe ainda maior, matando todos que estiverem envolvidos, sejam homens ou crianças, pois a maldição da Bruxa de Blair jamais se extingue, apenas espera a hora certa para atacar e ser lembrada novamente... 

E então, que tal fazer uma visitinha até Burkittsville?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

"Amor só de Mãe", um curta metragem nacional e assustador sobre a pomba gira!


E aí, pessoal, como vai? Hoje tenho o prazer de apresentar a vocês um excelente curta metragem de terror aqui da nossa terra chamado "Amor só de Mãe", que é simplesmente sobre a pomba gira!!! O curta é produzido, escrito e dirigido pelo genial Dennison Ramalho, o qual já ganhou meu respeito e admiração, pois este é um dos filmes nacionais mais assustadores que já vi, mesmo tendo apenas 20 minutos! O curta foi um dos mais caros já produzidos no Brasil e isso é percebido claramente devido a grande qualidade da obra. Não deixem de ver também, vocês não vão se arrepender. Mas só vou avisando que o curta tem cenas fortes de sexo, assassinato e satanismo :) 

 

 Adoraria ver um longa metragem assim, mas aqui no Brasil praticamente só querem financiar filmes de tiroteio na favela e comédias idiotas :/

sábado, 3 de novembro de 2012

Cadmo

Zeus encantou-se com a beleza de Europa, filha do rei Agenor, e para seduzí-la, transformou-se em um magnífico touro branco e misturou-se ao rebanho de Agenor, que sempre pastava na praia. A jovem, que divertia-se na praia com suas amigas, ao ver o animal aproximou-se, acariciou-o e, encantada com a sua docilidade, montou-o. No mesmo instante, o touro disparou mar adentro, levando Europa consigo até a ilha de Creta, onde Zeus deu-se a conhecer amando a jovem.


Agenor, desesperado, ordenou a seu filho Cadmo que saísse à procura da irmã e que não ousasse voltar sem ela. Cadmo resolve explorar as diversas ilhas que cercam a Grécia, mas não teve êxito. Saiu então mundo afora com seus fiéis companheiros, interrogando os habitantes dos diferentes lugares, em vão: ninguém tinha noção do paradeiro de Europa e, não se atrevendo a regressar sem cumprir a missão, Cadmo decide consultar o oráculo de Apolo.

A resposta não é a que Cadmo espera: os deuses ordenam que ele abandone sua busca, pois nunca encontrará Europa. E como ele não poderá tornar à casa paterna, os deuses ainda ordenam que ele funde uma nova cidade. "Ao sair do santuário, você encontrará uma vaca", disse o oráculo. "Siga o caminho pelo qual ela o guiar. Na campina em que a vaca se detiver, funde uma cidade e lhe dê o nome de Tebas." Depois de agradecê-lo, Cadmo obedeceu suas instruções e seguiu a vaca, que anda incansavelmente por dias e noites, até se deitar, exausta, em um campo. Era ali que se localizaria a nova cidade.

Cadmo quis oferecer o animal em sacrifício aos deuses. Como precisava de água pura para as libações, mandou os companheiros irem buscá-la. Perto, estendia-se um velho bosque, que jamais fora profanado pelo machado, no meio do qual havia uma gruta, escondida pelo mato espesso, com o teto formando uma abóbada baixa, da qual saía uma fonte de água puríssima. Na caverna dormia uma enorme serpente, de grande crista e escamas que brilhavam como ouro. Seus olhos flamejavam como fogo, a boca era repleta de veneno e continha três fileiras de dentes. Mal haviam os soldados mergulhado suas vasilhas na fonte, provocando um ruído na água, a brilhante cobra levantou a cabeça fora da gruta e soltou um silvo horripilante. Os servos deixaram cair as vasilhas, o sangue lhes fugiu da face e eles se puseram a tremer da cabeça aos pés. Aterrorizados, não podiam fugir nem lutar, e o monstro os matou facilmente.


Enquanto isso, Cadmo juntava algumas pedras grandes e construiu um altar, onde dispôs a lenha necessária para o fogo sacrificial. Devia respeitar os ritos se quisesse que a cidade nascesse sob boas bençãos. O sol já ia alto no céu, e nenhum dos seus companheiros voltara. Inquieto, Cadmo se perguntava o que os teria retardado. Decidiu então sair à procura deles.

Tendo sua lança como única arma e, a exemplo de Hércules, uma pele de leão como couraça, entrou na floresta. Não demorou a encontrar a nascente. Mas um horrível espetáculo o esperava. Uma serpente gigantesca acabava de devorar seus queridos companheiros. Cadmo não hesitou. Ergueu a lança, atacou o monstro. Sua tristeza superava o terror que sentia, e ele só tinha uma idéia em mente: vingar os mortos ou compartilhar a sorte deles. O ferro penetrou na pele escamosa, e jatos de um sangue escuro jorraram. Mas o réptil só fora atingido de leve. Como ele não parava de se contorcer, a ponta da lança saiu da ferida. E o monstro, enfurecido, saltou sobre o herói, que escapou por um triz. Atacando a serpente mais uma vez, espetou-a e a obrigou a recuar. De súbito, ela se chocou com um galho grande de um carvalho, que transpassou sua garganta, e, ferida mortalmente, foi ao chão. 


Quando o vencedor contemplava seu adversário e chorava a perda dos amigos, a deusa Atena lhe apareceu: "Recolha os dentes do monstro", ordenou. "Semeie-os e verá nascer um exército de soldados. Entre eles encontrará novos companheiros." Cadmo efetuou a estranha semeadura.
Assim que enterrou os dentes, logo apareceu um elmo aqui, a ponta de uma lança ali, ombros, braços, e por fim um pequeno exército de guerreiros cresceu entre os sulcos recém-abertos. Teriam atacado Cadmo, se este não tivesse tido a idéia de lançar, de longe, uma grande pedra no meio deles; assim, sem saber de onde veio a pedra, começaram a atacar uns aos outros, parando apenas quando restavam apenas cinco deles; estes cinco se juntaram a Cadmo e se tornaram os fundadores das primeiras famílias de Tebas.


Cadmo ensinou o alfabeto aos gregos e Tebas tornou-se rica e poderosa. Casou-se com Harmonia, filha de Afrodite e Ares, e teve os filhos: Autonôe, Polidoro, Ino, Sêmele e Agave. A fatalidade, porém, pesava sobre a família de Cadmo, por ter ele matado a serpente consagrada ao deus da guerra, Ares. Os deuses amaldiçoaram Cadmo, sua esposa e toda a sua descendência. Por isso, a vida de seus filhos, netos e todos os que vieram depois foram marcadas por tragédias.  

Sua filha Autônoe casou-se com Aristeu (o mesmo que provocou a morte de Eurídice) e foram os pais de Acteão. Já crescido, quando Acteão estava a caçar na floresta deparou-se com a deusa Ártemis e as suas ninfas banhando-se nuas em um lago. Famosa por sua castidade, Ártemis ficou indignada e transformou Acteão em um veado, que foi devorado por seus próprios cães de caça. Noutra versão, ele teria se gabado de que era um melhor caçador do que a deusa, e acabou recebendo tal castigo.



Ino, enlouqueceu e se atirou de um precipício junto com seu filho. Sêmele era amante de Zeus. O deus atendeu ao seu pedido de mostrar-se em todo o seu esplendor e ela foi fulminada pelos raios que dele emanava. Zeus conseguiu salvar o filho e guardá-lo em sua própria coxa, onde ele completou seu desenvolvimento. Quando Dioniso nasceu, foi entregue para ser criado pelas ninfas pois foi rejeitado pela família de Sêmele que se recusou a prestar-lhe um lugar de honra em Tebas pois não acreditavam que ele era filho de um deus.

A última filha Agave tinha se casado com Equion, um dos guerreiros nascido dos dentes da serpente. Eles eram os pais de Penteu que herdou o trono de Cadmo em sua velhice. Depois de crescido, o deus do vinho e da loucura, Dionísio, retornou a Tebas com suas Bacantes, suas endoidecidas seguidoras. Mas lá, Penteu proibia o culto ao deus. Dionísio então alucinou as mulheres de Tebas, inclusive Agave, fazendo com que elas o acompanhassem junto as Bacantes. Em êxtase elas atacaram Penteu e o despedaçaram. Ainda em estado de êxtase Agave retornou à sua casa carregando a cabeça de seu filho Penteu acreditando que fosse a cabeça de um leão da montanha que havia caçado. Ao perceber a expressão de horror de Equion, lentamente Agave percebeu a tragédia consumada e enloqueceu de vez.


Cadmo e Harmonia saíram de Tebas, que se lhes tornara odiosa, e emigraram para o país dos enquelianos, que os receberam com honras e fizeram de Cadmo seu rei. O infortúnio de seus filhos continuava, porém, a atormentar o casal, e, certo dia, Cadmo exclamou: — Se a vida de uma serpente é tão cara aos deuses, eu preferia ser uma serpente. Imediatamente, começou a mudar de forma. Harmonia viu o que estava acontecendo e implorou aos deuses que a fizessem compartilhar do destino do marido. Ambos transformaram-se em serpentes. Viviam nos bosques, mas, cientes de sua origem, não evitavam a presença do homem, nem faziam mal a quem quer que fosse.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Belerofonte e a Quimera

Belerofonte era filho adotado de Glauco, filho de Sísifo; Não se sabe muito sobre ele até a sua juventude, quando matou involuntariamente o sei irmão Belero, um tirano de sua cidade natal, Corinto. A partir daí, o herói, que originalmente se chamava Hipónoo, adquiriu o nome de Belerofonte, que significa "aquele que matou Belero". Porém, com a morte dele, Ares pede a punição do herói, fazendo com que ele tivesse de sair da região, acabando por viajar até Tirinto, uma cidade vizinha.

Lá, Belerofonte é bem recebido pelo rei Preto e sua mulher Estenebéia, governantes de tal região. Ele se põe a serviço do rei, e após algum tempo, a rainha começa a amar o rapaz, belo como um deus. Assim, em um dia em que Preto estava ausente, Estenebéia fala com o jovem, ao passo que é rejeitada, devido aos laços de hospitalidade e amizade que o herói possuía com o rei. Porém, assim  que essas palavras lhe saem da boca, o amor da rainha por ele logo transforma-se em ódio. Consumida por ele, ela diz ao marido que o convidado havia assediado-a, e pede para que ele fosse morto. 

Buscando não manchar suas mãos com o sangue de seu convidado e logo depois ser punido, o rei manda Belerofonte para a Lícia, região a qual estava sob o poder de Iobates, pai de Estenebéia. Junto a ele, o rei envia uma carta, a qual dizia a situação, e que por isso o herói deveria morrer. Assim, o jovem ruma para a Lícia, e ao chegar, é recebido com muita festa pelo rei. Só depois Iobates lê a carta, depois de o ter recebido como hóspede e ter partilhado com ele uma refeição na festa – logo, segundo a lei sagrada da hospitalidade, não o poderia matar, também pelo mesmo motivo que Preto não pôde. Movido, contudo, pelo desejo de Preto, Ióbates encarrega-o de uma missão da qual Belerofonte muito dificilmente sairia vivo: matar o monstro Quimera, que devastava a região, atacando rebanhos.

A Quimera era um monstruoso produto da união entre Equidna - metade mulher, metade serpente - e o gigantesco Tífon.  A Quimera tinha cabeça e corpo de leão, com uma outra cabeça anexa de cabra  ou de dração. Além de tudo, ela expelia fogo pelas bocas e também tinha um traiçoeiro rabo de serpente.

A Quimera

Antes de ir enfrentar o monstro, Belerofonte consulta Polieido, um adivinho da região, o qual diz-lhe que só iria vencer a Quimera caso ele montasse em Pégasus, o filho imortal de Poseidon, nascido do pescoço da Medusa cortada por Perseu. Agora Belerofonte tem dois problemas: matar a Quimera e domar o Pégasus. Ele começa a perguntar às pessoas da área, ao passo que todas respondem que nunca haviam visto o cavalo alado, ou que acreditavam nele apenas como lenda. Por fim, ele chega à conclusão de que apenas as ninfas ou as Musas saberiam a resposta. Com esse pensamento, ele põe-se a caminho do monte Hélicon, local o qual as filhas de Zeus habitavam.

Chegando lá, Belerofonte é recebido por três musas, e conversa com elas, mencionando o porque de ter se dirigido para lá. Elas o dizem que tal tarefa era quase impossível de ser realizada, mas mencionam sobre a fonte Pirene, onde elas reuniam-se para cantar, pois as águas forneciam inspiração e da qual se dizia que, quem dela bebesse, tornar-se-ia poeta. A fonte teria surgido de um coiçe de Pégaso.

No caminho até a fonte indicada pelas ninfas, Belerofonte encontra um templo dedicado à deusa Atena, e pede à deusa da sabedoria que guiasse-o, para que ele conseguisse domar o cavalo. Assim que acaba as oferendas, ele dirige-se para fora do templo, e dorme. Em seus sonhos, ele vê Atena, a qual lhe revela sua verdadeira paternidade: Poseidon. No sonho, ela lhe entrega uma rédea dourada e ordena que passasse-as no cavalo, o qual estava perto deles. Ele consegue domar Pégasus, mas apenas até acordar e perceber que fora um sonho. Mas surpreendentemente, as rédeas estavam realmente ao seu lado quando ele acordou.


Logo o herói já estava de volta ao seu caminho, e rapidamente chegou aos arredores da fonte. Escondido, pacientemente esperou pela chegada de Pégasus, que aconteceu pouco tempo. Porém, assim que o cavalo chegara, ele havia percebido a presença de estranhos no seu local de descanso, e por nada acalmava-se. Pensando rapidamente, Belerofonte pega uma pedra e a joga para um arbusto atrás do cavalo, sem que ele veja. O barulho e o movimento conquistaram o olhar do animal, e antes que Pégasus pudesse se virar novamente, Belerofonte agarra-se em seu pescoço, passando rapidamente as rédeas nele. Assim que as rédeas são colocadas, Pégasus torna-se completamente amável.

Após um descanso na fonte, os dois tomam o caminho de volta à Lícia, e passaram a procurar a Quimera. Momentos depois, o herói vê uma área com troncos de árvores queimados, e vê em seguida a Quimera saindo de seu esconderijo, para ver o que ocorria fora de sua toca. Assim que vê os inimigos, o monstro começa a lançar bolas de fogo, sem sucesso. Pégasus e Belerofonte voavam alto, garantindo a escapada dos ataques. Do alto, Belerofonte pegou uma lança e arremessou em direção a Quimera, acabando por conseguir matar o monstro.


Assim, Belerofonte volta até Iobates com a notícia de que havia derrotado a Quimera. Porém, o rei planejava livrar-se dele a qualquer custo, e manda-o em direção à uma tribo de belicosos guerreiros, os quais ele mata a maioria do alto, cavalgando Pégasus, e o resto dispersa-se após tal ataque. Ainda tentando matar o herói, Iobates manda-o atacar as Amazonas, guerreiras extremamente fortes e perigosas, confronto o qual ele também sai vencedor. Porém, assim que se dirige à cidade, ao longo do rio Xanto, ele é recebido pelos guerreiros do rei.

Vendo número tão grande de guerreiros ele lembra-se da informação de Atena acerca de sua paternidade e pede ajuda à Poseidon. Assim que solicita ajuda ao seu pai, uma parede de água formou-se atrás dele, e à medida que ele avançava, também avançavam as águas em suas costas. Os soldados do rei bateram em retirada. 


Convencido, então, de que Belerofonte só pode ter origem divina, Iobates o casa com sua filha.   Tempos depois, um mensageiro chega até Preto com uma carta de Iobates, dizendo a real situação. Com isso, o mundo de Estenebéia foi abaixo pois toda aquela farsa veio á tona, e ela perdeu todo tipo de riqueza e fora banida do palácio. Recusando-se a viver como uma cidadã normal, ela acaba por encontrar seu fim em uma corda na árvore. Após a morte de Iobates, o trono passa para Belerofonte.

Porém, com o tempo, o poder subiu à cabeça de Belerofonte, somado ao fato de ele ser filho de Poseidon, fazendo-o achar que poderia comparar-se aos olimpianos. Nisso, ele pega Pégasus e ruma em direção ao Olimpo, voando cada vez mais alto. Ao ver a audácia do herói, Zeus manda uma vespa para picar o cavalo. Assim que sentiu a picada, o animal começou a debater-se com seu cavaleiro em suas costas, derrubando-o. Porém, antes de atingir o chão, Atena salva-o, portanto Belerofonte não morreu com a queda, mas sim como um mendigo louco e aleijado procurando Pégaso.

Belerofonte tentando subir ao Olimpo